Como bom (e nada modesto) observador, constatei que existem pessoas que insistem em não fazer nada. Em não produzir coisas construtivas, instrutivas. Apenas duvidam de si, de forma a impossibilitar qualquer iniciativa para qualquer coisa, qualquer ato, qualquer idéia. A futilidade é sempre seu emblema, seu escudo, seu refúgio. A possibilidade de saber de alguma coisa interessante, obviamente sobre outras pessoas, aguça a curiosidade. A falta de aventura, de novidade, de emoção na própria vida os fazem pensar apenas no quê os outros deveriam, ou não, fazer. Seres altamente nocivos, poluentes, que fazem questão de se esconder atrás de uma falta absurda de cultura, de interesse pela vida.
Degradam-se tentando viver a vida dos outros, tentando viver a parte interessante da vida de quem invejam. Como não lembram-se de si? Como não percebem que a falta de atitude no presente virará, com certeza, saudosismo do quê não foi feito no futuro?
Uma humilhação conformada parece que acelera o crescimento do interesse no que é alheio. Basicamente não mensuram suas perdas e imposturas, não almejam nada, a não ser saber se há discórdia entre os que os rodeiam.
Implantam planejamentos para adquirir informações sobre o quê lhes dê assunto, lhes seja material como escambo, tanto de favores como de outras informações. Alteram as informações, como brincando de telefone sem fio, para ver o que conseguirão causar nas outras pessoas. Modificam suas rotinas a ponto de vigiar suas fontes de assunto. Alteram seu próprio modo de vida para bebericar o quê acontece na vida alheia.
Pensei até, por alguns instantes apenas, que poderia ser inveja. Mas a inveja desacompanhada da vontade de fazer igual, de nada adianta. Diminui-se por não perceber a falta de vontade de crescer, de evoluir.
Me confundo a tentar descrever tais criaturas, por não compreendê-las bem. Interessam-se mais em saber da vida de terceiros do quê viver a própria vida. Em parte, até os entendo, afinal de contas sei que minha vida é sim muito interessante. Mas ela deveria ser interessante apenas para mim e para aqueles que considero importantes o bastante para saberem das minúcias que cometo, dos problemas que enfrento, de como os enfrento, enfim é a minha vida. Digo isso por saber que cada um deve conhecer o quê há de interessante em sua própria vida.
Li uma vez que a vida é feita para ser vivida, mas para ser vivida de verdade, não comentada. O interessante da discussão, no cotidiano, deveriam ser as idéias, e não as pessoas. Os atos que cada um comete só deveriam interessar os participantes dos mesmos, e não aos alheios que observam de forma quista o quê se passa na vida de terceiros.
Mas devo admitir, também, que como observador constatei que mesmo assim devemos continuar a viver nossas vidas, não nos importando o quê pensem ou falem a nosso respeito. Isso não mudará nosso caráter, só fará diferença se dermos ouvidos às vozes que só repetem o mesmo assunto: A vida alheia, ou seja: Vida mais interessante que a própria.