A luz da lua entrava por entre as cortinas da janela, cálida pelos reflexos do lençol de seda rubro, quando entraram no quarto. A cama parecia ansiosa para recebê-los.
Ela o trazia pela mão, havia preparado tudo e não queria que nada fosse diferente do quê havia planejado. O vestido, o batom, o jantar, o vinho, Portishead como fundo musical, as velas, tudo havia sido premeditado. A entrega dela era notável. E ele a agarrou pela cintura, ainda de pé, e lhe beijou a boca lânguida com a volúpia que o momento requeria. Retirou uma das alças do vestido, deslizou a mão pelo ombro nu, admirando a suavidade de sua pele enquanto olhava em seus olhos. Conseguia sentir a respiração ofegante, o coração dela acelerado. Mas ele não tinha pressa, ansiava por aquele momento tanto quanto ela e queria extrair cada detalhe de cada segundo. Pressionando-a contra seu corpo, para que sentisse seu membro rijo, beijou seu pescoço e murmurou em seu ouvido:
- Hoje vou te ter como sempre quis, inteiramente minha.
Ela consentiu apenas com um pequeno sorriso no canto da boca e retirou a outra alça, fazendo com que seu vestido caísse deixando à mostra seu corpo, inteiramente nu. Ela o ajudou a se despir e, ainda de pé, se beijaram mais uma vez. Naquele momento parecia que seus sentidos estavam mais aguçados, os cheiros de seus corpos já transcendiam a luxúria. Liam seus olhares e, através deles, parece que sabiam o quê fazer e como fazer.
Ele ainda parecia não acreditar que aquela mulher o queria. Sabia o quanto já havia sonhado, e ansiara por aquele momento. Deitados lado a lado, ele parou enquanto passeava seu tato por todo o corpo dela, fazendo-a sentir a leveza de seu toque, depois a leveza de seus lábios pelo corpo todo, até chegar a seu sexo que, úmido, inebriava-o com um odor maravilhoso, um convite para degustá-la. E ela delirava às carícias feitas por ele, ao seu toque, ao seu olhar direto no dela. Pois até isso ele queria guardar, o rosto contorcido de prazer, os gemidos, o gosto, os odores.. tudo. Mas não era só ele que queria ver expressões de prazer, sentir o gosto do sexo. Isso também era interesse dela e, de súbito para que não chegasse ao clímax antes da hora, inverteu a posição e começou a proporcionar mais prazer do quê ele já havia sentido. E o olhar dela, a vontade que ela tinha em satisfazê-lo, dava mais prazer a ele.
Ela então, atendendo a um pedido dele, voltou a beijar-lhe a boca enquanto unia os sexos dos dois praticamente em um só, que ardiam de vontades. Depois os corpos se impactando um contra o outro. Cada minúcia era importante, o suor e os líquidos do sexo eram aparentes, agradáveis e confortáveis. Ditavam o odor da luxúria, de dois corpos se amando com velocidade crescente. Até que o êxtase chegou explodindo os sentidos como fogos de artifício numa noite linda e clara de ano novo. Haviam chegado à simplicidade de sua essência juntos, e explodiram em um riso descontrolado, aconchegante. E ali ficaram se olhando e rindo, ele ainda com o sexo dentro dela.. Exauridos e estupefatos, mas ainda rindo. Afinal, haviam se divertido. Os beijos continuaram, o riso também. Nada de dormir nessa noite, uns minutos depois voltaram a se amar novamente, e assim foi até o raiar do dia. Afinal de contas pra quê fechar os olhos se o seu sonho está bem diante de você?