Arquivado em: Não sei o quê
As palavras parecem baratas se escondendo
Na despensa da minha mente, quando acendo a luz
Elas não me faltam, só não se completam.
Eu não falto, elas fogem.
Eu não desisto, elas que não ajudam e as dispenso.
Me confundem às vezes, me deixam perdido..
Mas me fazem concluir que falta algo que as faça sairem debaixo das prateleiras.
Falta algum alimento deixado no chão..
Falta inspiração. Falta amor. Falta carinho.
E faltam palavras.. ou não. Elas sobram..
Assim como sobra solidão, sobra indignação..
Reconforta apenas saber que da indignação vem a ação.
Mas sem alimento, como elas sairão de seus esconderijos?
Isso que me falta, algo para saciar a fome das palavras.
Algo para reorganizar as idéias, os pensamentos…
Dispenso, na despensa, as prateleiras vazias e a fome.
Dispenso o quê penso ser incerto, e penso que o certo
Seria apenas o óbvio. Que não depende só de mim.
Então fico esperando colocar algo numa prateleira qualquer
Pra saciar essa insatisfação, essa indignação.
E da ação, da indignação, quem sabe, Ela não aparece…
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Um professor, na faculdade, teve a cara de pau de dizer que o grupo define o indivíduo. Fiz questão de ser aquele aluno chato(em termos) que faz questão de questionar o que é dito. Parece que a frase: “Diga-me com quem andas, que direi quem és.” deve ser adotada como lei, pois ficam de lado a personalidade, a experiência de vida e principalmente o caráter do indivíduo. Já participei de vários grupos, e ao mesmo tempo não fazia parte diretamente de nenhum. Andava com os skatistas, com os malucos do heavy metal, com os nerds, com os gays, com as patricinhas, com os ricos, com as meninas mais largadas, e principalmente com os pobres, mas no fim das contas eu me identificava com a galera indefinida, ou seja, quem se parecia comigo mas isso também não quer dizer que eu SÓ andava com eles.
Então disse que meu professor estava errado, mas tinha que convencê-lo disso sem citar minhas experiências de vida. E isso foi meio complicado por que eu não queria logo de cara começar a dizer “Eu era assim…” ou “Eu fazia aquilo…”. Eu tinha que construir argumentos, com a sala inteira esperando pela resposta, pra tentar dizer que ele estava errado simplesmente por que eu sabia que ele estava. Aí comecei perguntando a ele:
“-E uma pessoa que não faz parte de um grupo especificamente definido?”.
Ele se fez de desentendido, mas percebi que ele tentava me complicar. Aí mandei logo:
“-É, entendo que um grupo não definido ainda assim é um grupo. Mas se não há nenhuma característica que defina esse grupo, como você pode afirmar que o grupo te define?”
Ele demorou alguns segundos pra responder, mas quando começou, engasgou, e não falou mais. Parou e começou a pensar no que eu disse. Aí olhou pra mim e perguntou:
“-Por quê você está perguntando isso? Você por acaso fez parte de algum grupo indefinido?”
Nessa hora, ele colocou a corda no pescoço por que a minha convicção era tão grande que não cabiam argumentos que ele pudesse colocar depois do que eu iria dizer. Mas eu tava tentando manter a minha vida fora de foco, mas quando ele perguntou sobre qual grupo, que EU me considerava parte que era indefinido. Ele me deu liberdade pra falar o que eu estava tentando evitar de falar. Então, simplesmente parou e, esperou a resposta:
“- Quando fiz o ensino médio, eu não tinha grupo no colégio, eu fazia parte do corpo discente mas não pertencia a nenhum dos grupos sociais que existem normalmente nas escolas. E sei que, por causa disso, formei minha personalidade assim. Sem sentir a necessidade de me sentir parte de um grupo, mas ao mesmo tempo fazendo parte de todos. Por que eu falava com todo mundo, desde o Porteiro, até a Dona Zica, (merendeira que sempre punha mais comida no meu prato na hora da merenda). Eu falava com os “nerds”, falava com os descolados (esses que faziam de tudo pra me convencer que eu deveria ignorar os nerds e todos os outros), falava com a galera que não falava com ninguém por que tinha vergonha, falava com as patricinhas, falava com a galera do volley, do futebol. Falava até com quem não queria falar comigo, mas eu era educado e sabia como chegar, aí acabava conquistando todo mundo mesmo. Enfim falava com todo mundo e tratava todo mundo como iguais. E acho que esse sempre foi o MEU grupo. Eu não precisava me sentir parte de nenhum grupo desde que soubesse que poderia me dar bem com todos. Sem discriminar ninguém. E já senti na pele isso que você disse sobre o grupo excluir quem não é semelhante. Já fiz anos de Jiu-Jitsu, mas todo mundo da academia ficava puto comigo quando chegavam na rua, arrumavam uma briga aleatória e insistiam pra que eu entrasse na covardia e batesse em alguém. E eu não queria, tanto que não fiz, e fui excluído mesmo. Me tratavam mal e tudo. Passavam por mim na rua e não falavam comigo. E só não batiam em mim por que me respeitavam por fazer parte da mesma academia deles. E por saberem que se viessem pra cima, o primeiro que eu pegasse se machucaria, mesmo se todos os outros me batessem demais depois disso.
Ou seja, o grupo NÃO define um integrante. Eu acho o contrário, os integrantes definem o grupo.
Na verdade eu acho que quem tem mesmo personalidade, não vai se deixar influenciar por ninguém e nem por nenhum ideal que não acredite de verdade. Mas pra isso é necessária muita, mas muita personalidade mesmo. Principalmente na adolescência. Eu já fiz parte de grupos de amigos que gostava de usar drogas, mas eu não queria aquilo pra mim e disse pra eles que eu não queria e que não era pra me oferecer. E nem por isso eu me sentia obrigado a usar drogas, a passar por cima da minha personalidade pra atender um conselho vindo de fora. Depois dessa fase careta, também tive minha época de loucuras controladas. Mas não por influência de ninguém. Por quê eu quis, por que eu tinha uma curiosidade tão grande em saber como tantas pessoas usavam e gostavam do quê usavam. Ah Professor, é tanta coisa que já passei que não vou ficar falando da minha vida aqui, mas como você perguntou, tá aí a minha resposta.”
Ele não soube o quê dizer, tentou argumentar que eu faço parte de um grupo muito maior que é a sociedade e depois começou aquele papo de professora do Charlie Brown (blá blá blá.. blá blá… blá blá blá….). Aí parei e pensei que um indivíduo quando se conhece, não precisa se identificar com outras pessoas pra ser feliz, ou pra assimilar coisas boas (ou ruins também). Mas ele precisa se identificar como indivíduo. Precisa saber quais são suas predileções, quais são as coisas que prefere evitar.
Existe quem se deixe influenciar por outras pessoas mas, perdoem a minha convicção, eu nunca fui assim e sou muito feliz. Sempre quis me informar sobre tudo antes de ter uma opinião, sempre quis ponderar antes de adotar uma postura. Já cometi meus erros? Já, e não foram poucos. Mas como “cada um sabe a delícia de ser o quê é”, eu sei que é muito bom ser eu acima de tudo. E é muito bom saber que a minha presença já fez muita gente feliz e ainda faz. É bom saber que não terminei como amigos que tive, que viraram bandidos mesmo. Amigos que viraram traficantes e apareceram algemados e tudo na televisão. Mas isso deveria ter acontecido comigo se fosse verdadeira a premissa do meu professor.
Minha mãe, de vez em quando, diz que se espanta com o quê me tornei hoje em dia, e tem muito orgulho disso. E afirma que isso foi resultado de muitas orações. Aí perguntei o quê ela pedia nas orações e ela me disse que rezava pela minha proteção. Mas perguntei do quê deveriam me proteger? Ela respondeu:
“-Do mundo, meu filho”.
Mal sabe ela que a escola que me ensinou a ser quem sou hoje, foi a vida. A vida, vivida nesse mundo cão em que vivemos.
Adoro quando você mente.
Dá pra ver que você acha que me engana.
Gosto quando você percebe meus olhos em você.
Suas insinuações me alucinam.
Ouvir seus suspiros me deixa surdo para outros sons.
Sentir seu gosto, seu cheiro, seu toque, me coloca em outra dimensão.
Onde tudo se torna secundário, a não ser você.
Você não sabe, mas sinto sua mentira.
Se você diz que não, eu sei que sim.
Se você diz que sim é por que quer mais.
Se não diz nada, é por que as palavras de nada valem.
Numa hora em que só eu e você sabemos o quanto somos um.
Na hora que todos os sentimentos se misturam.
Na hora que todos os pensamentos somem.
Não há lógica, não há sentido. E é assim que deve ser.
Mas não finja me enganar, você não consegue.
Vejo através de você. Sinto-me através de você.
E não preciso de mais nada, a não ser você.
Ontem eu caí no chão e me espatifei em um monte de cacos. E precisei me recompor, me colar pedaço por pedaço. Aí peguei a cola, e comecei a colocar os pensamentos onde se encaixavam.
Mas tente imaginar a cena, você quebra um vaso que gosta muito e não vive sem ele. Mas e se esse vaso tem um pedacinho que você não gosta? Não dá pra jogar aquele pedaço fora e continuar a colar tudo. Por que no fim das contas vai ficar um vaso desigual, desfigurado. Sem aquele formato de vaso completo que se conhecia antes.
Só que me deparei com tantos pedaços que não queria mais, que me assustei um pouco. E me fez pensar o quanto de mim é bom, e o quanto de mim são defeitos. Sinceramente essa autoanálise foi meio tensa, por me fazer perceber os meus defeitos de uma maneira clara e direta. Fui sincero comigo mesmo como nunca havia sido antes. Pensei em todas as atitudes que tomei em minha vida, lembrei de todos os meus erros que cometi, me senti mal por causa do mal que já causei a muitas pessoas que passaram pela minha vida.
Não é bom perceber que a gente também erra, que a gente também faz coisa errada. Sempre falo em meus textos como ajo corretamente, e como enfrento a vida da maneira mais certinha o possível. Mas aquilo são momentos, são cacos da minha vida. Assim como possuo inúmeros outros cacos em que agi mal, que não fiz a coisa certa mesmo sabendo que estava fazendo a errada.
Certa vez elogiaram meus textos, e me incomodei com isso. Às vezes passo a impressão de que é tudo tão bom, tudo tão certo, mas não deixo claro que “aquele” texto específico é só um pedaço de mim, um fragmento das minhas experiências de vida. Não necessariamente traduz o meu Eu. Não dizem como eu penso ou sou completamente. Acho até que posso contar nos dedos de uma mão quem me conhece completamente. Não sou uma pessoa reservada, pelo contrário sou muito dado (sem trocadilhos por favor). Mas, por inúmeras vezes, eu passo a impressão de que está tudo bem quando na verdade me sinto um lixo, uma lumbriga expelida no meio das fezes. Mas ao olhar pra mim, pareço um diamante reluzente.
Eu tenho defeitos, todo mundo também tem. Só que não estaria sendo sincero comigo mesmo se um dia não escrevesse sobre esse assunto. Não admitisse que tenho meus defeitos, e ainda dissesse que não são poucos. Felizmente posso dizer que minhas qualidades superam meus defeitos, ou que deixo os defeitos aflorarem quando convém. Mas eu já errei muito na vida, já fiz muita merda (muita merda de verdade³), muita coisa que me arrependi bagarái de ter feito. Mas fazer o quê né? É a vida, ela é assim. Só que o importante é não parar de tentar acertar, pelo menos eu acho.
Vou juntar meus caquinhos, e colocá-los juntos de novo. Afinal de contas, eles são parte de mim. Eles formam meu caráter, minha personalidade, formam quem eu sou. Eu, completo. O difícil foi aceitar que os tenho mas agora, até gosto deles…
Esse é um dos meus cacos em texto, um dos meus pedaços.
Deixo perceber que te desejo
E me delicio com o que vejo
Dou-te a certeza do que sinto
Em resposta, seu sorriso lindo
Júbilo em teus lábios quentes
Acalma a minha alma, me aquece
Subverto-me em verbetes sábios
Teço uma armadilha aconchegante
Meus braços, com você em meu peito
Te seguro, pois não quero que se vá
Meu colo é seu lar, seu repouso.
Teu sono é meu velar, minha vigília.
Hálito doce, perfume ébrio
Em teu seio me tenho são, sério.
E loucura passa a ser certeza
De que a espera não foi em vão.
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Dia desses me incomodei pois ouvi falarem de mim. Antes de mais nada quero deixar claro que não me incomodo que falem de mim, desde que seja a verdade. Sou cínico, egoísta às vezes, mal humorado quando me convém, ignorante sempre que preciso, rude, grosso, malvado, bravo, furioso quando necessário. Só que sou assim, por que preciso disso, quem não precisa? Quem nunca precisou ser grosso com um colega de trabalho por causa da incoerência, incompetência, ou inabilidade do colega pra qualquer coisa?? Quem nunca ficou puto com um professor que não sabe o assunto que está falando em sala de aula?? Quem não argumentou com algum colega sobre um assunto, e não recebeu uma resposta à altura?? Eu não escondo minhas reações, fico puto mesmo, e FODA-SE o resto.
Não gosto de ser julgado, digo, não gosto de ser julgado por quem não me conhece. Quem me conhece já me compra. Quem acha que me conhece e fica com o pé atrás, ou se apaixona quando me conhece (modéstia às favas) ou então me odeia com conhecimento do que odeia. Sou um cara escroto quando quero, já mandei uma mulher ir tomar no cú só por que ela não quis ficar comigo. Mas antes de mais nada quero esclarecer que ela foi muito mais escrota comigo por que não soube conversar e no fim das contas ainda quis me esnobar sem, ao menos, ter inteligência para fazê-lo. Aí, as moçoilas que não fiquem com uma má impressão mas, mando tomar no cú mesmo.
As pessoas que extraem o melhor de mim, geralmente são as pessoas mais parecidas comigo, que possuem mentes que trabalham da mesma forma que a minha. Que não precisam que lhes seja explicada, 500 vezes, a mesma coisa. Realmente não tenho nenhuma compaixão com quem não entende que eu funciono assim: Eu te explico uma vez, e você anota tudo, se tiver dúvida me pergunte, mas consulte sua anotação. Eu faço isso, sempre que preciso anoto tudo. Tenho milhares de arquivos em meu computador chamados “Anotações”. Então por que devo ser complacente com quem não faz? Acho que a seriedade e a objetividade, nesse caso, são qualidades excepcionalmente válidas e devem sempre ser levadas em consideração.
Mas me incomodei, pois falavam de mim. Pois disseram coisas inverídicas, pois comentaram sem conhecer o quê comentavam. Não dá pra explicar, não dá pra falar, pois não sou como eles.. Não comentaria sobre algo que não conhecesse. Eu acabaria sendo injusto.. E essa é uma qualidade que não quero pra mim.
Se dissessem a verdade ao menos, não me incomodaria. Sei o quê sou, como sou, e o quanto gosto de ser eu. Mas parece que só eu sei disso. Obviamente não sou obrigado a transparecer a todos quem eu realmente sou, devo guardar meus segredos, meus desejos, meus sonhos, meus medos, num lugar onde só eu tenha controle. Existem interpretações para cada atitude, mas cada interpretação é pessoal e intransferível. Posso não ter a mesma interpretação perante um problema que outra pessoa pode ter. Portanto volto ao ponto que posso ser o quê quiser quando quiser, e quando precisar ser. Inteligência emocional trata disso, basicamente é necessário entender o quê não é dito, não é exposto. Às vezes, entendo coisas não ditas que ninguém mais entende e não consigo explicar a ninguém. Outras vezes acho melhor nem tentar explicar, por que sei que não irão me compreender.
Aí comecei a divagar se eu também deveria começar a tecer comentários a respeito de tais pessoas, mas eu não as conheço, não sei das minúcias que passam em seus cotidianos. Então, pra que eu não seja injusto como foram comigo, prefiro ficar quieto. Uma hora ou outra me conhecerão de verdade e se depararão com a verdade.
Mas doeu, pela primeira vez me incomodei por saber que pessoas próximas a mim, quando precisam e podem, falam a meu respeito. E falam sem me conhecer, falam sem saber do quê estão falando.. E, provavelmente, lerão esse texto e nem saberão de quem estou falando.
Que falem então, foda-se de novo.
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(Composição: Fernando Anitelli – Música: Teatro Mágico)
Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria lua
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol
Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo, sentada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar um amor?
Por que que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Por que a gente nunca sabe de quem vai gostar.
Ana e o mar… mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar… mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar
Quando Ana entra n’água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor… Ana e o mar
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Ps.: Perdoem meus erros na execução, mas pra um baterista até q ficou bom…
Por mais não queira, acabo com você nos pensamentos.
Só que tudo me lembra você.
Desde o despertador, até o barulho do ventilador..
Da maçã mordida na geladeira, até o vento na praia.
Não sei por quê a vida quis assim.
Impor essa distância entre nós.
Custe o que custar, quero te ter.
Nem que seja só pra te olhar, e dizer o que sinto.
Nem que seja só pra ter certeza que não minto.
Não minto pra mim, nem pra você, nem pro meu coração.
Tento pôr as idéias em ordem, pensar com calma..
Mas a ânsia de sentir você, tocar você..
Me descontrola, me acelera, me inebria, me enlouquece.
Queria poder estender a mão e te tocar.
Poder saber que o seu amor está logo ali, ao meu alcance.
Tomara que não tarde a chegar, esse dia que não canso de esperar.
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Ontem tive uma discussão. Não importa o motivo, o assunto discutido, ou quem era o segundo participante da discussão. Importante mesmo foi eu ter mudado meu jeito de agir e falar. Pela primeira vez mantive a calma, onde normalmente eu gritaria, xingaria, falaria todos os desaforos que me coubessem. Sim, eu ERA assim. E sempre ficava mal depois de uma discussão como a de ontem. Normalmente eu choraria num canto por não poder meter a porrada na cara da pessoa, me sentiria mal, me ofenderia com as palavras que porventura pudessem me magoar. Mas ontem não. Por saber os meus motivos, por saber que a certeza estava a meu lado, por pensar antes de falar não me excedi, não me irritei, obviamente fiquei possesso, muito nervoso. Mas me controlei bem. E o mais interessante é que no fim da discussão, eu me senti leve sabe? Sensação de dever cumprido, não aquele mal estar que restava antigamente. Na verdade, ontem, nem parecia que eu havia discutido.
É interessante como a razão, quando sobreposta à emoção, toma conta de todos os sentidos, da oratória, da concisão de idéias. Te dá uma vasta gama para expressar o que se sente e o que se pensa. Como nunca antes havia experimentado tal sensação, ficou um ar de surpresa com dúvida ao mesmo tempo. Surpresa por não ter me deparado com emoções depreciativas depois da discussão, e a dúvida se vou conseguir me manter da mesma forma nas discussões que virão. Sei que a vida não pára, que o mundo não vai me esperar evoluir pra poder continuar girando. Tenho que fazer isso agora, preciso disso agora mais do que nunca por ter a certeza dos benefícios que essa mudança de atitude me trás.
Mas mudança de atitude, sabe como é né? “Old habits die hard.” Realmente eles demoram a se dissipar, mas com força de vontade eu sei que consigo. Se consegui uma vez, ontem, durante tanta pressão, tantos problemas, tanta coisa acontecendo tudo ao mesmo tempo de uma vez só. Claro que vou conseguir numa próxima oportunidade.
Há tempos atrás me cobrava pra ter mais paciência com as pessoas, tanto no trabalho como na vida pessoal. E na verdade me toquei que não deveria apenas desejar ter mais paciência, deveria desejar mais oportunidades pra por a minha mudança de atitude em prática. É, pois de nada adiantaria ter toda a paciência do mundo e não ter oportunidade para pô-la em prática. Portanto desejo mais discussões, desejos mais atritos para se resolver, desejo testar essa minha mudança de atitude. Não é assim que se evolui? Quando fica evidente que há um problema em determinada postura adotada, por quê não se por à prova?
Agora, como vai ser o resultado disso, fica pra outro(s) post(s)…
Faço e repasso o quê penso.
Revejo e entendo tudo o quê fiz.
Aceito e perdôo caso precise.
Preciso, e vejo o quanto.
Vejo que enquanto não admito, omito e ainda minto.
Admito que minto, mas omito só o mito.
Mito de um amor à espera.
À espera de ser encontrado, sentido.
Sinto que não sei o quê pensar, e penso que não deveria sentir.
Mas não há nada a fazer, e se houvesse não sei se faria.
Não sei se há controle sobre esse sentimento indomável.
Domá-lo seria perda de tempo, pois num amor assim não se põe, ou se impõe, controle. É naturalmente selvagem, intocável, puro.
Quase sempre impaciente, às vezes ávido demais.
Às vezes solitário demais.
Como estar sozinho numa multidão, e não encontrar ali quem te complete.
Mas completar algo que não falta é ilógico.
Estar incompleto é ilógico.
Se sentir incompleto é óbvio.
E assim o penso.
E assim faço, e repasso.