Este texto é a continuação do post “Diversão“.
_________________________________________________________________
Acordou bem cedo, e enquanto ela ainda dormia tomou um banho demorado. Desceu as escadas e preparou o café da manhã para ela. Pegou a revista preferida dela, pois sabia que ela gosta de passar algum tempo na cama depois do banho matinal. Subiu as escadas e já pôde ouvir o chuveiro. Colocou a bandeja sobre a cama, abriu as cortinas, pegou os restos da noite anterior que ainda estavam espalhados pelo chão.
Sentou-se à cama e pensou em aguardar um pouco, mas não conseguiu. Entrou cautelosamente no banheiro e a viu de costas sob o chuveiro. Parou por um instante para apreciá-la enquanto não havia nenhum outro pensamento em sua mente, apenas ela. Foi então que, já não pôde mais se controlar, tirou a roupa e entrou no box já agarrando-a por trás e beijando-lhe a nuca. E ela, sem poder reagir, sentiu-se dominada e soltou um suspiro alto, uma mistura de surpresa e lascívia. Ele a agarrara firmemente e ela, ainda de costas, olhou para trás e o viu com aquele olhar de quem queria devorá-la. Foi então que um beijo intenso e quente fez com que entrassem num frenesi de luxúria. Ela sem ter tempo de esboçar reação sentiu-se penetrada, dominada, submissa.
O chuveiro ligado, os leves gemidos dela, e a respiração ofegante dele se fundiram numa sinfonia de sensações. Pois já haviam transcendido esta realidade, a razão já não mais fazia parte dos pensamentos de ambos. Queriam apenas sentir-se, aproveitar cada instante daquele intenso amor. Olhos nos olhos, ele a agarrara pelos cabelos e beijava-lhe a boca com sofreguidão enquanto a cadência do amor aumentava. Então ela, não resistindo mais aos movimentos intensos dele, sentiu a explosão franca do orgasmo tendo as pernas vacilantes, soltando um grito de prazer intenso. Ele a sentia contraída, o quê lhe proporcionou mais prazer que não demorou a virar orgasmo também. E, ainda dentro dela, continuaram abraçados beijando-se.
Ainda não haviam dito uma palavra sequer, apenas olhares, beijos, abraços e carinhos. Terminaram o banho juntos, sem se importarem com horário ou compromissos. Nada mais importava naquela hora, a não ser o quê um significava para o outro. Foi quando, ela ainda em êxtase, disse:
- Estou com uma fome danada..
Ele apenas sorriu, enquanto enxugava-lhe as costas.
Não quero citar ninguém sabe? Acho que consigo escrever um texto sem precisar usar palavras já ditas. Mesmo sabendo que isso é sinal de sabedoria e aquele blá blá blá.. Poderia começar com: “Jogador que joga nas 11 posições, não joga bem em nenhuma!” mas como “Há pessoas que têm um impecável mal gosto.” prefiro pensar que: “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a um entendimento de nós mesmos.”.
Não é que eu não saiba ou não goste de fazer, mas acho que citação é aquela coisa chique que se deve fazer em casos onde elas se encaixam perfeitamente. E não tentar escrever um texto só com citações. Até mesmo por quê escrever assim dá uma impressão de colcha de retalhos sabe? Pode ficar bonito no final, mas é aquela coisa desigual, disforme, sem um padrão, sem muita clareza. Como meu filho costuma me perguntar: “Tendeu??” E já estou citando de novo. Mas não sou completamente contra e que isso fique bastante claro, mas às vezes devemos dar-nos as rédeas da escrita. Poder ser quem cria para, quem sabe, ser citado depois. Existem coisas que realmente não ficam bem sem uma citação, uma monografia por exemplo, ou qualquer texto acadêmico. Enfim, tem que ter bom senso.
Na verdade não quero interferir no direito de citar de ninguém, citem, citem-se, incitem, excitem e excitem-se (ou não). Afinal de contas citações demonstram que no momento que lemos o texto e depois citamos parte dele, significa que – naquele momento e naquele texto – tivemos pleno entendimento do quê o autor quis expressar, ou então contextualizamos a leitura no nosso dia-a-dia e conseguimos encaixar bem o texto dos outros nos nossos.
Então, pra terminar, vou tentar acabar com citações de impacto:
“Meu pai costumava dizer que quem cita demais não tem idéias próprias.”
(não sei quem disse)
“Todos nós somos um mistério para os outros… E para nós mesmos.”
(Érico Veríssimo)
“Tendeu?”
(meu filho..)
- Alô?
- E aí? Tá vindo pra cá?
- Não, to no cinema.
- No cinema?
- É, te falei isso à tarde quando te liguei e você me atendeu meio que dormindo.
- Me falou? A gente já se falou hoje?
- Falou, quando te liguei e você me atendeu meio que dormindo.
- Ah, mas você nem entendeu. Eu só tava brincando.
- Entender o quê? Que você estava ligando pra outra pessoa e acabou ligando, sem querer, pra mim?
- Putz, claro que não.
- Ah é, vou acreditar. Pra quem você tava ligando?
- Pra você ué, eu não posso te perguntar se você está vindo pra cá?
- Não. Pelo menos não quando eu já te falei que viria pro cinema. E você ainda foi grosso comigo por quê eu tinha te acordado.
- Bom, agora tenho que confiar no quanto me conheço né? Por que eu odeio mesmo que me acordem à tarde.
- Quem você tava chamando pra ir praí?
- Olha, não vou repetir de novo que eu tava chamando você. Mas você não quer acreditar mesmo né?
- Claro que não, você nunca me chama pra ir praí.
- Na verdade eu tava achando que você estava vindo pra cá porque, como eu não lembrava que você tinha me ligado à tarde, eu achei que você nem fosse me ligar. E é sábado né? Achei que a gente ia se ver, só isso…
- Ah, mas você foi muito grosso comigo hoje à tarde.
- Mas você me acordou, sabe que fico mal humorado.
- Mas que culpa tenho eu de você estar dormindo?
- Ah, mas pra quê você me ligou à tarde? Você nunca me liga à tarde!
- Mas você nunca dorme à tarde, e não tente mudar de assunto. Quem você tava chamando pra ir praí?
- Agora então quando eu tiver vontade de te chamar pra vir pra cá, não vou poder né? Porque senão você vai me acusar de chamar outra pra vir pra minha casa? Faz o seguinte então: acaba de assistir o seu filme aí, e esquece que te liguei.
- Não esqueço enquanto você não disser quem você chamou pra ir praí..
- Ah, quer saber? Tchau.
- Tchau, mas mais tarde te ligo pra gente conversar isso direito.
Mal sabia ela que ele a esperava com um jantar à luz de velas posto à mesa. E mal sabia ele que ela estava sensível naquele dia…
Desliga o despertador.
Abre os olhos.
Olha o teto e constata que é dia útil.
Levanta, vai pro banheiro.
Banho, escovas, desodorante e perfume.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.
Sai de casa, fecha a porta.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.
Entra no carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira… faltam os óculos.
No porta luvas tem um pra casos de emergência.
Chaves, celular iPod, mochila, carteira e óculos.
Mesmo caminho, mesmos problemas, mesmo stress.
Mesmas pessoas, mesmos cumprimentos, mesmos sorrisos.
Mesmos projetos, processos e procedimentos.
Mesmas reclamações de problemas sem soluções.
Cartão, chave, celular, iPod, mochila, carteira, óculos.
Óculos no porta-luvas, trânsito, buracos.
Mesmas pessoas, falsos cumprimentos, menos risos.
Mais conhecimento, mais cultura, mais networking.
Professores legais, os colegas impopulares mais legais.
Volta pro carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.. trabalho de Cálculo.
Pouco trânsito, mesmos buracos, mesmos problemas.
Som pesado no iPod, batuques no volante, às vezes muita cantoria.
Garagem de casa, escadas, lembranças de: “Tenho que levar o carro na oficina.”
Fecha o carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira. Chaves certas?
Abre o carro.
Pega as chaves certas, deixa as erradas no carro.
Abre a porta, mesma bagunça, mesmos desapegos.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira, todos no criado mudo.
Ironia, um mundo no criado mudo.
Mesmos rituais, mesmos vícios, mesma escrita.
Celular, despertador, ativar.
Fecha os olhos.
Aí começa, de verdade, a voltar à realidade.
Me leve pras asas da certeza, me tire desse labirinto de dúvidas. Dê-me a dádiva do amor pois, há muito, anseio por isso. A espera deve ser sem mais delongas, pois já foi longa e longe demais. Se o meu bastar não for o bastante, que tentem me impedir de impelir esse sentimento pra fora do meu peito. Já não aguento mais, já não preciso mais carregar esse peso. Não que tenha desistido da espera, mas por saber que a espera é vã. Por saber que existem coisas que ainda quero experimentar. Ainda restam os restos do fogo que ardia em meu coração. Mas agora eu manterei esse fogo em brasa eterna, para quando você chegar, eu possa usar a brisa do seu amor para fazer com que a brasa vire labareda novamente, para fazer meu coração arder em meu peito.
Ainda espero-te, mas tenho mais paciência caso não venhas logo. Não mais me guardarei para algo que sonho acontecer, não mais me conterei quando quiser gritar ao mundo o que sinto.
Certa vez, pediram para que eu diferenciasse solidão de “estar só”. Acho que estar só, é apenas não ter ninguém a seu lado, enquanto a solidão é ter inúmeras pessoas próximas a você e mesmo assim parecer que você não está lá… A solidão é a sensação do vazio, mas não do vazio em nós. A solidão é o vazio que se sente por não ser importante para outra pessoa, por não se ter por quem ser amado. E eu sinto como se não tivesse, e soubesse que não há, alguém que me ame de verdade, alguém que sinta ansiedades e desejos por mim. No meu entender, essa é a pura solidão.
Mas não quero mais esses pensamentos lúgubres, esses tons e verbetes melancólicos. Quero palavras amenas e, a menos que as coisas mudem, assim as manterei.
Cansei de esperar por você, mas ainda estarei aqui caso queira se aproximar. Já cansei de lutar batalhas comigo mesmo onde ninguém sai vitorioso. Onde o fim de cada batalha é apenas o extermínio da esperança que, nessa guerra interminável, não tarda nascer novamente para sumir outra vez. Sei que o quê me aguarda, tá guardado.. Infelizmente ainda tá guardado.
Serei meu próprio sacerdote e construirei, com meu coração, a minha própria sorte. E quem sabe, essa sorte não me brinde com algo inverso à morte?
Trocadilhos postos como espartilhos.
Que dispostos, apertam e exprimem
Palavras que não cabem, que não deveriam.
Não expressam com a devida pressa
As coisas fora do lugar que já não são.
Já não estão, e não estarão.
Mentes fracas, impertinentes
Tratam assuntos banais como premissa maior
Expurgam o lixo de suas mentes inertes,
Seus pensamentos doentes
Me enojam, me enjoam.
Me fazem perceber que nada percebem
Que não sabem que a vida é melhor
Se vivida, não comentada.
Que o inferno é aturar-lhes
Que eterno é o pesar
Por tamanha insuficiência
Por tamanha subserviência
Tentam impor influência
Não interpretam, não lêem
Não se dão ao prazer de tentar entender.
Se iludem e pensam que são melhores.
Entopem-se de futilidades
Se inflam, e se registram
Numa vã tentativa de se diferenciar.
Mas são todos iguais.
São todos normais.
Como se fosse normal ser igual.
Anormais não se tocam do mais
Não se informam e não cultivam
Têm cultura inculta, que de nada adianta
Que não adia a conclusão final
Tolos, fartos de tudo.
Fardos do mundo.
Almejam para si, o dos outros
Não alimentam, só se alimentam.
Inúteis, vis, e podres
Esses, sapientíssimos, ignorantes.
Arquivado em: Não sei o quê
Pessoas,
Como costumava dizer pra tentar ser engraçadinho: “Nasci no dia do meu aniversário.” E hoje é o dia… Portanto, por favor, deixem os presentes por aqui..
Saudações a todos.
Não me peça para mentir, eu tenho meus motivos.
Não tente adivinhar o que eu sinto, não faço demonstrações óbvias.
Não duvide dos meus sonhos, só eu sei quantos sonhos já realizei.
Não me julgue, se não me conhecer.
Não pense que me conhece, até eu me desconheço às vezes.
Não finja gostar de mim, pois te direi se antipatizar.
Não queira impor suas vontades, ainda não sei o quê quero.
Não queira nada por mim, meus gostos variam com o vento.
Não seja mais inconstante que eu, senão me torno simples.
Não seja mais simples que eu, senão fico complexo.
Não me deixe influenciar-te, só sirvo de má influência.
Não saiba mais que eu, pois nem sempre compartilho tudo que sei.
Não me queira bem, senão me apaixono.
Não se apaixone por mim, posso amar-te.
Não me ame, senão meu mundo se ilumina.
Não seja o quê procuro, pois não sei o quê se a busca acabar.
Não me deixe. Se me amar, não me deixe.
_________________________________________________________________
Andava de férias do trabalho e do blog tb… Voltando ao trabalho nos dois.
A quem possa interessar, meu texto “à 4 mãos” em parceria com o Troll, foi publicado na quinta passada. Segue o link para o “Interlúdio“.