Num canto me vejo
Só, sóbrio, são.
Num canto me ouço
Sol, bemol, em vão.
Não há voz.
Nada há em vós.
Silêncio que me atormenta
Fala que nunca cala
Junto os pedaços
De um conjunto despedaçado
Cato migalhas perdidas
Pedidas de joelhos
Não as tenho, nunca as terei.
Temo tanto, torço e tento
Traze-la para meu canto
Canto o quanto for preciso
Para que, em meu canto
O silêncio cesse.
Canto no meu canto,
Mas por enquanto, não encanto.
Em canto algum,
Encanto algum.
Arquivado em: Indignação | Tags: drogas, favela, helicoptero, Rio de Janeiro, trafico
Não quero saber de violência, acho que a gente já teve violência demais. O Rio, desde o início dos anos 80, apresenta esse problema. E sou realista a ponto de não colocar a culpa só nos bandidos, até mesmo por quê parte da polícia é conivente com o crime organizado. Mas também não quero desmerecer os policiais honestos que mesmo com o despreparo, a falta de infra-estrutura, a baixa remuneração, a falta de incentivos do governo, continua fazendo seu trabalho diariamente contando com a merreca que o governo paga.
Eu, pessoalmente, acho que o policial militar deveria ser remunerado a ponto de não precisar se sentir tentado à receber suborno assim como os policiais federais. Tudo bem que aceitar ou não o suborno é uma questão de ética pessoal, mas se um PM que recebe 1 salário mínimo tiver a oportunidade de lucrar 10 mil pra não atrapalhar o funcionamento de uma boca de fumo, admito que a tentação deve ser grande.
O problema é que no Brasil, o judiciário é tão enrolado que todo mundo acha uma brecha pra lucrar com alguma coisa. Eu, por exemplo, me pergunto o por quê da polícia do estado do Rio saber da existência de milícias em várias favelas e não fazer nada. É mais fácil fazer blitz e arrecadar uma graninha dos inadimplentes com o IPVA do que subir o morro e trocar tiro com bandido que tem fuzil, tem metralhadora, tem granada de fragmentação. Por quê a PM não tem esses recursos, sabe? Isso me leva a uma dedução lógica, veja bem:
Polícia não faz nada, recebe suborno e dá a desculpa que é despreparada. Traficante paga o suborno, vende drogas, compra mais armas pra brigar com outros traficantes ou pra se resguardar caso a polícia mude de idéia e resolva entrar na favela.
Nesse meio tempo quem, literalmente, se fode é o contribuinte que paga horrores de impostos e esses governantes de MERDA que não fazem porra nenhuma. Ter que adaptar a própria vida pra não passar por riscos desnecessários, tem que mudar o caminho de volta pra casa pra não dar mole perto de favela e tomar uns tiros de fuzil que derrubam helicóptero. E quando aconteceu a queda do helicóptero, vi uma imagem no jornal de um ônibus que desviava do seu trajeto normal, que trazia um passageiro completamente revoltado que gritava à plenos pulmões:
“- Eu quero paz brother! Só isso, só queremos PAZ. Mais nada!”
Concordo completamente com ele, até mesmo por quê a fala dele soou mais como um pedido do quê uma reclamação. Ele parecia já estar de saco cheio com tanta violência.
O nível de organização dos bandidos é tamanho que poderiam ser sub-divididos em departamentos:
Logística: responsável pelo transporte de drogas e armas, também serve pra chamada “contenção”.
Recursos Humanos: responsável pelo recrutamento e contratação, administração de plano de carreira (sim, porque o tráfico tem isso mas a PM não consegue aplicar bem essa idéia), folha de pagamento e até incentivos para aumento de produção (inclui gratificações e penalidades), cuida também da logística de realocação de funcionários. Caso uma favela precise de reforços, esse departamento atua.
Administração: responsável pela análise do negócio, ponto de tomada de decisão, análise de vendas e lucros.
Operacional: responsável pela manufatura e embalagem das drogas.
Segurança: “contenção”, monitoramento da movimentação na favela, parte que interage diretamente com os policiais corruptos.
Telecom: gerenciamento de meios de comunicação, compra e manutenção de rádios, conexão com internet, telefones, fogos de artifício e pipas..
Enquanto própria polícia deve sucatear seus carros e seus equipamentos devido à baixa remuneração. Equipamento tem, porquê o helicóptero abatido não deve ter custado barato, mas de quê adianta um helicóptero sobrevoar uma favela? Vão prender um altofalante no bichão e ficar gritando lá de cima:
- Ei, você aí ladrão! Aqui é a polícia, você está preso!
Nesses últimos dias, ainda presenciamos a quantidade de “filiais” que uma facção pode ter, por que a maior parte dos atentados incluindo queima de ônibus no Rio foi, declaradamente, uma tentativa da bandidagem distrair a atenção da polícia e não faze-los invadir o Morro dos Macacos e acabar com a bagunça. Eles administram de dentro de presídios, todo mundo sabe do problema e continua parado.
Ou seja, é placebo pra mídia engolir e achar que a polícia é equipada, quando na verdade está sucateada. Essa é a única parte do Brasil que dá vergonha de ser brasileiro e é o Governo que não dá exemplo de ética, é o Governo que gasta mais tempo com CPI’s pra “se investigar” do quê para realmente trabalhar à favor do povo.
To é de saco cheio já…
Arquivado em: Não sei o quê
Noite passada, tive um sonho perfeito.
Você estava nele, claro.
Sonho difícil de acabar, complicado pra acordar.
Nesse sonho você conversava comigo.
Bem pertinho, dava pra sentir seu hálito.
Era tão real, tão bom.
Exatamente como queria que fosse.
Você falava, me olhava, mas eu só via sua boca.
Tudo que pensava era se você me beijaria.
Sabe que podemos controlar os sonhos?
Por quê você me beijou, sutilmente.
Seus lábios quentes, sua respiração ofegante..
Tudo parecia perfeito, assim como você é.
O problema é que no fundo, eu sabia..
Aquilo não passava de um sonho, não passa de um sonho.
A distância que nos separa não pode ser esquecida.
Por isso eu sabia que era só um sonho.
Sonho um dia poder ter sua boca, te ter em meus braços.
Um dia, você há de ser só minha.
Enquanto isso, sigo sonhando. Me castigando.
Pois não há castigo pior que acordar de tal sonho.
Um beijo, e bom dia..
Não tenho tido muita coisa pra escrever por aqui ultimamente, muita coisa “maiomeno” acontecendo… Trabalho e faculdade à todo vapor, enfim cotidiano em rotina encravado na pele. Então, como tá faltando novidade vou falar sobre Bob Marley. Mas assim, uma coisa levou à outra por que estava eu, ouvindo Bob no trabalho e tive que desconectar o fone do computador deixando o som alto pra caramba, e o Estagiário logo se pronunciou:
“- Caraca, você ouve essa música de maconheiro?”
Bom, pra começo de conversa ele é estagiário e tem o direito de dar esses vacilos. Só que reparei todo o preconceito com o qual ele formulou a pergunta. Ficou aparente não só o preconceito para com os usuários da cannabis, mas também uma profunda ignorância musical. Digo isso por quê Bob Marley não foi apenas um “maconheiro” não caberia esse termo pejorativo sabe? Fumava maconha? Fumava e não devia ser pouca. Mas ele praticamente inventou um estilo musical, e hoje em dia isso é muito raro de se ver. Pegou parte do Ska Americano, diminuiu a batida, introduziu outros instrumentos, backing vocals e tudo mais que o Reggae representa hoje em dia. Além dessa iniciativa bárbara em relação à música, ele SEMPRE trazia em suas letras, mensagens de paz, amor, às vezes de alerta e em outras tantas um grito de guerra para que os povos africanos se unissem e lutassem contra a opressão que foi vivida no passado que ainda perdura em alguns pontos do mundo.
Enfim, Bob Marley tinha defeitos? Claro, ele era um homem como outro qualquer, mas não pode ser menosprezado por consumir Cannabis. Diga-se de passagem eu não tenho nada contra quem consome, até mesmo por quê não me fazem mal. Por mim, seria até legalizada por que aí geraria impostos, seria regulamentada e não contribuiria pro tráfico. Diferentemente dos consumidores de drogas lícitas como o álcool (o qual sou consumidor eventual) e o tabaco. Quantas vezes já presenciei cenas deploráveis de pessoas dormindo no chão, vomitando em si próprias devido ao consumo do álcool, isso sem contar a quantidade de acidentes automobilísticos que ocorrem mesmo com a vigência da lei seca?? Nunca vi em nenhuma manchete de jornal:
“MACONHEIRO ULTRAPASSA SINAL VERMELHO E ATROPELA 20 PESSOAS”
Pelo contrário, já vi gente dentro de carro desligado viajando sem sair do lugar.
Já o tabaco, que é considerado um dos piores vícios que uma pessoa pode ter por ser o mais difícil de se abandonar, é mais incômodo ainda pra quem não fuma. Tudo bem que hoje em dia existem leis pertinentes que ajudam os fumantes passivos, mas mesmo assim ainda é uma merda chegar num lugar e ter uma pessoa fumando perto de você com toda aquela fumaça vindo pra sua cara… Os fumantes que me desculpem, mas que é incômodo, ah isso é.
Enfim, voltando ao estagiário vacilão, ele acabou merecendo uma aula sobre as mensagens de amor do Bob, além de haverem também mensagens de motivação. Separei umas interessantes para dizer pra ele:
“The stone that the builder refuse, could always be the head-corner-stone.”
A pedra que o construtor recusa, poderá vir a ser a pedra-mestra.
Ou seja, se você se sente rejeitado, reprimido, ainda há esperança que existe um propósito para sua existência. Cabendo até uma interpretação de Deus para “Builder”.
“If you are a big tree, We’re the small axe. Sharpened to cut you down, ready to cut you down.”
Essa era uma mensagem ao governo opressor, de fácil tradução:
“Se você é uma árvore grande, nós somos um machado pequeno. Afiados para te derrubar, prontos para tal.”
Uma que alerta para lutar pelos próprios direitos (Todos, sem exceção):
“Get up, stand up. Stand up for your rights! Don’t give up the fight!”
Sabe, dizendo essas coisas para o estagiário, até fiquei pensando na força que Bob tinha enquanto era vivo, tanto foi que escreveu uma música descrevendo a emboscada (Ambush in the night) que sofrera quando invadiram sua casa e atiraram nele e sua esposa (Rita Marley) mas felizmente, sem sucesso.
Uma perda enorme foi sua morte. E eu sou defensor das mensagens de paz, amor, união e esperança que ele sempre pregou. Ainda não consegui encontrar outra pessoa que faça isso hoje em dia, a não ser ele. Por quê até hoje os discos dele vendem muito bem, obrigado. E farei o quê precisar para passar a mensagem dele adiante, sem apologia a nada que não seja o amor, paz e esperança. Afinal de contas, precisamos bastante disso hoje em dia não é mesmo?
Sem preconceito, sem as idéias embaladas que a mídia faz todos engolirem, é até melhor pra ver a realidade.