Devaneios de um Qualquer


Ser homem não é fácil.
3 Novembro, 2009, 11:00 am
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O homem que nunca se sentiu confuso ao pensar em como, quando, onde, com quê pretexto, qual cantada, qual roupa, perfume, próprio hálito e tudo mais que se leva em consideração no momento de chegar em uma mulher que levante a mão bem alto pra que eu possa vê-lo daqui e chama-lo de mentiroso. Por que, mesmo com toda a auto-estima do mundo, não há quem fique com alguma dúvida na cabeça. Não que falte conhecimento próprio, no meu caso, mas mesmo se garantindo no papo (existem mulheres que não levam em consideração uma cara não tão bonita*) persistem ainda algumas dúvidas. Por que, convenhamos (incluindo vocês mulheres), o universo feminino é bastante complicado.

Já passei por situações onde tinha certeza mais que absoluta que a mulher (me) queria, mas mesmo depois de muita conversa e gracejos, a dondoca ainda fez o favor de me dar mais incerteza.
Conclusão nº 1: as mulheres não têm certeza do quê querem.

Já houveram casos onde eu nem desconfiava que havia interesse, da senhorita comentar com minhas amigas que eu era frouxo e tudo mais. E quando eu cheguei pra conversar, gelo novamente:
Conclusão nº 2: quando elas têm certeza, podem se dar ao luxo de mudar de idéia.

E quando a gente tá num lugar onde a mulher mais bonita é maiomeno pádaná, gasta conversa com ela, e ela passa a noite inteira rindo de tudo o que a gente diz, dando pinta que tá gostando do papo, e quando a gente chega ela diz que não, e não chega em mais ninguém e vai embora e não fica com ninguém?
Conclusão nº 3: às vezes ela gostou da sua companhia, mas isso não quer dizer que ela vá ficar com você. (Mas pq ela não diz isso logo pra não fazer a gente perder tempo?)

Tem também aquelas situações onde, num grupo de mulheres, você conhece apenas uma e tenta sondar informações das outras do grupo e não percebe que a que você conhece tá te dando mole e já não gostou do fato de você não ter percebido…
Conclusão nº 4: quando elas sabem o quê querem, a gente nem desconfia o quê é…

Às vezes, pra quem tem uma cara não tão bonita*, aquela mulher mais bonita da festa chega em você e começa a conversar. No meu caso, eu desconfio. Desconfio mesmo, ainda mais se a moçoila não me conhecer com antecedência. Provavelmente deve estar meio bêbada, com raiva do (ex)namorado, com vontade de se vingar da sua namorada ou de alguma ex. Enfim, algum motivo ela deve ter. Mas analise antes pra evitar problemas depois…
Conclusão nº 5: Quando parece impossível, elas fazem ser possível.. mas cuidado pra não se arrepender depois.

Outro dia vi na televisão, aquele programa da Fernanda Lima. Ela montou um casal pra ver se rolava alguma coisa. Os dois foram pra balada e não rolou nada.. Mas ambos estavam interessados, mas admito que o cara deu mole.
Conclusão nº 6: Não adianta só ela querer. Se você não se jogar e agarrar logo, vai dançar.

Provavelmente as senhoritas que lerem esse texto já terão uma resposta para cada uma das situações mostradas anteriormente. Mas gostaria que ficasse claro que o problema, no momento da “chegada”, é que existe todo um contexto que vocês desconhecem. Portanto, as conclusões se aplicam de forma unicamente generalizada no sentido em que homens leiam o texto, e comparem as minhas conclusões às próprias. E assim concordem que vocês mulheres são mesmo complicadas, mas tenho plena certeza que é isso o que mais me chama atenção nas mulheres. ;)

Então, depois de tantas conclusões, admito que as mulheres são complicadas. Inevitável, inquestionável, invariável, inadvertidamente complicadas. Por isso, vale levar em consideração uma máxima que sempre mantive em mente quando saia pra balada:

O “Não” já está garantido. O negócio é arriscar pra ganhar o “Sim”.

Mas antes de atirar, escolha cautelosamente seu alvo, senão o tiro sai pela culatra.

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* Sinônimo de feio.



Mais contagiante que a H1N1
3 Setembro, 2009, 10:33 am
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Semana passada estava em São Paulo para participar de um curso. E quando estava na rodoviária, dentro do busu, me preparando pra a viagem de volta me deparei com uma cena muito legal. Um casal completamente apaixonado se beijava, e se despedia na rodoviária. Até aí tudo bem, eu contando assim você pára e pensa: “Mas e daí? Quantos casais se despedem por aí??”

O negócio, inicialmente, era que o casal era meio discrepante no tamanho e altura. E digo isso com propriedade, pois a moça devia ter um metro e meio de altura, bem baixinha mesmo. E o cara devia ter quase 2 metros e devia pesar uns 150Kgs. Parecia que ela era uma bonequinha que ele gostava muito de brincar, e ela via nele um puff gigante que, ainda sendo um pouco criança, adorava-o, abraçava e beijava-o sem parar, na barriga (onde ela podia alcançar sem dificuldades) e quando ele se abaixava, beijava-o à boca.

Enfim, uma cena normal, mas que simplesmente TODOS que passavam por perto se espantavam. E eu, pela janela do ônibus, via que o mais interessante era que além do casal chamar a atenção por serem tão diferentes, chamavam a atenção por demonstrarem tanto carinho um pelo outro. Num dado momento, parei de olhar para o casal e comecei a olhar para quem os olhava. E percebi que o amor que os dois sentiam era tão puro e sincero que acabava se espalhando pra quem apenas olhasse para os dois. Fiquei pensando que o amor em si, quando é muito aparente, ele é multiplicado por quem o presencia. Não importa o quanto os dois eram diferentes, eles se amavam e dava pra perceber isso nitidamente. E todos os que olhavam, inicialmente ficavam espantados pela diferença de tamanhos, mas logo já começavam a sorrir (inclusive os homens) mas mais por eles parecerem realmente apaixonados.

O amor é uma coisa tosca mesmo, não mede distância, não repara qual é a cor da pele ou o tamanho dela. Não quer saber se se é alto ou baixo, gordo ou magro, branco, preto, bege, careca, vesgo… Ele não tá nem aí. Quando bate, bate com força e não há como segurar, não há como conter. Tanto é que o amor dos dois era tanto que estava se espalhando por ali, causando um espanto engraçado que todos se contagiavam. Até um punk com fones de ouvido deu uma olhadela e um leve sorriso. Parece que contagia mesmo, não adianta tentar resistir.



Macho alfa e Pneus – II
2 Setembro, 2009, 11:31 am
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Li no blog da Sisa, um post falando sobre a habilidade que o homem tem para tomar pra si algumas tarefas, tipicamente masculinas, que porventura algumas mulheres possam ser forçadas a passar. Trocar um pneu por exemplo, é uma tarefa que exige uma certa técnica e algum desapego com limpeza. Isso mesmo, é necessário seguir um passo-a-passo que na cabeça dos homens (pelo menos na minha) já fica subliminarmente inserido. Não pretendo “destronar” as rainhas sugerindo que não são capazes de trocar um pneu, pelo contrário. Me disponho, inclsuvive, à ajudar qualquer “Damsel in Distress” numa situação dessas.

Isso me trouxe à memória de um dia que estávamos eu e o meu filho, ele devia ter uns 5 anos na época, na estrada e o pneu do carro furou. Não dá pra esquecer a carinha de decepção dele quando falei que a viagem fôra interrompida por causa de um pneu furado. Não entendi muito bem a causa daquela frustração, mas logo entendi o por quê. Eu desci do carro e ele perguntou se poderia descer também (sabem como é né? Filho sempre quer fazer o quê a gente faz). Dada a autorização, ele desceu do carro e olhou o pneu e viu que não daria pra seguir viagem com aquele pneu. Aí ele virou-se pra mim, com as mãos na cintura, completamente desanimado, e perguntou:

- E agora papai? Sem pneu o carro não anda né?
- É, com o pneu furado o carro não anda. Vamos ter que trocar. – Respondi.
- Mas se você trocar, um dos pneus vai continuar furado. Se você colocar ele atrás, vai continuar furado e o carro não vai andar…
- Não rapaz, vamos trocar o pneu furado pelo step.
- Step? Isso não é aquela cordinha da prancha?
- Não, aquilo é strap. Step é esse pneu aqui ó. – Falei, mostrando o pneu debaixo do tapete do porta-malas.
- Ué! Quem colocou esse pneu aí?!?!?!?! – Completamente maravilhado.
- Rapaz, todo carro vem com um pneu sobrando. Justamente pra gente trocar, se algum furar.
- Ãhn….

À partir daí, pedi pra que ele ficasse num ponto seguramente distante de mim, mas perto o bastante pra ver o quê eu fazia. Áí comecei o check-list mental, enquanto executava-o:

1 – Sinalizar a estrada com o triângulo.
2 – Pegar chave de roda, macaco e step.
3 – Afrouxar os parafusos da roda em questão.
4 – Posicionar o macaco.
5 – Levantar o carro.
6 – Tirar os parafusos.
7 – Tirar a roda, e guarda-la no lugar do step.
8 – Colocar o step em posição.
9 – Colocar os parafusos, mas ainda sem apertá-los.
10- Descer o carro, e tirar o macaco.
11- Apertar os parafusos.
12- Guardar a chave de roda, o macaco e pegar o triângulo.
13- Parar no borracheiro mais próximo.

Bom, como o carro era novinho naquela época, o processo foi muito rápido e eficiente. Acho que em menos de 5 minutos já estávamos de volta à estrada. O quê depois meu filho ficou falando que havia sido um “pit-stop”. Quem o via contando como o pai dele havia sido um super-herói e trocado o pneu do carro tão rápido quanto um pit-stop de formula-1, não tinha como imaginar o quanto o pai dele sofreu na primeira vez que foi trocar um pneu. Bom, inexperiência conta muito nessas situações. Às vezes a vontade de fazer tudo muito bem feito é atrapalhada pela inexperiência. Na minha primeira vez(trocando pneus, que fique claro), tinha uns 16 anos, fiz uma merda atrás da outra:

1 – Levantei o carro com o macaco.
2 – Tentei desafrouxar os parafusos
3 – Derrubei o carro de cima do macaco (por sorte não caiu no meu pé)
4 – Lembrei do Triângulo (quando quase fui atropelado por um carro q passava)
5 – Afrouxei os parafusos.
6 – Levantei o carro e troquei o pneu.
7 – Tentei apertar os parafusos.
8 – Derrubei o carro de novo (dessa vez eu já tinha pulado pra longe!)
9 – Apertei os parafusos.
10- Segui viagem.
11- Voltei pra pegar a chave de rodas e o triângulo q tinha deixado pra trás.

Enfim, pode-se observar que foram menos itens seguidos mas o tempo gasto foi muito maior que o triplo do primeiro check-list. Mas esse é um dos problemas de aprender as coisas de orelhada. E como, nesse dia, só tinha eu de homem no carro e eu era quem melhor entendia o funcionamento de uma roda, acabei forçadamente fazendo o papel de macho-alfa.

Confesso, não resisto à ver uma “Damsel in Distress” que logo páro pra ajudar. Afinal de contas, nós gostamos de ajudar, e elas adoram serem ajudadas.. Não é verdade?

É bom que no fim do “pit-stop” só falta aquele suspiro delas dizendo: “- Meu Herói!” ;)



Cotidiano no telefone
20 Maio, 2009, 1:32 am
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- Alô?
- Sentiu saudades minhas?
- Uhum. Que voz de sono hein?
- Meio cansado, mas tenho que terminar uns trabalhos…
- Hum, entendo.
- Mas pode esperar, prefiro falar com você.. E aí? Fez o quê hoje?
- Levei a Tati no dentista, e depois dei uma volta na rua.
- Poxa, super aventura hein?!
- A volta na rua ou o dentista com a Tati?
- As duas coisas né?!
- Hum..
- Tá, tudo bem que ela é sua amiga, mas precisava levá-la??
- Ah, mas ela tava morrendo de medo.
- Do dentista ou da volta na rua?
- Do dentista, pára a palhaçada. Ela tava suando frio, inclusive.
- E você? Como está?
- Um pouco cansada dessa situação.
- Da Tati no dentista, cansada de estar longe de mim ou cansada mesmo?
- Ah, um pouco dos três.
- Bom, eu consigo resolver os três problemas.
- Consegue é?
- Uhum, você vem morar comigo e quando você precisar acompanhar sua amiga ao dentista, eu te faço companhia na sala de espera.
- Hum, te amo e to morrendo de saudade sabia?
- Adoro quando você diz isso. Mas me fala, tá ansiosa pra se mudar?
- Meio apreensiva, vou me sentir um peixinho fora d’água.
- Apreensiva? Fala sério.
- Mas é sério.
- Ó, te falo como vai ser: Na primeira semana você se acostuma com o lugar, e se localiza (mas só um pouquinho), provavelmente não vai ficar muito longe de casa ou dos seus pontos de refêrencias… Depois, até o fim do primeiro mês, você já se solta mais um pouco. Aí fica com saudade de casa… Aí, depois disso, começa a se acostumar com o resto da cidade. No 2º mês você sente saudade quase na mesma proporção. Mas já lida melhor com a situação… (visita a sua casa a cada 15 dias) Aí eu te levo num monte de lugar legal, você se apaixona de novo por mim, o Cirilo fica com a Maria Joaquina, e pronto. Viveremos felizes para sempre. Não tem com o que se preocupar.
- Simples assim?!
- Uhum.
- Então vai ser moleza.
- Vai sim, você vai ver. Já não expliquei direitinho?
- Explicou, tô meio lesada hoje.
- ÔÔÔÔÔÔnnn tadjééééééénha dééééééla…. Queria poder te dar colo…
- Eu ia adorar.
- Essa é uma vantagem que você aproveitaria se acreditasse em mim…
- Eu acredito, só quero que seja real.
- Vai ser, eu vou fazer ser. Você vai ver.
- Não fala assim. Parece até um sonho, e tenho medo de acordar.
- Pode deixar que eu desligo o despertador, tá?
- Não, deixa eu sonhar.
- Não, você não entendeu.. Não vou deixar o sonho acabar.
- Você me deixa tonta sabia?
- É, você faz a mesma coisa comigo.
- Mas não eram três coisas que você ia solucionar?
- Ãhn?
- Não eram três problemas que você disse que solucionaria?
- Ah é. Esqueci de te falar que entrei no Shiatsu.
- E como foi?
- Melhor te mostrar do que falar, vai dormir. Beijo, tchau.



Bom dia.
30 Abril, 2009, 10:03 am
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Este texto é a continuação do post “Diversão“.
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Acordou bem cedo, e enquanto ela ainda dormia tomou um banho demorado. Desceu as escadas e preparou o café da manhã para ela. Pegou a revista preferida dela, pois sabia que ela gosta de passar algum tempo na cama depois do banho matinal. Subiu as escadas e já pôde ouvir o chuveiro. Colocou a bandeja sobre a cama, abriu as cortinas, pegou os restos da noite anterior que ainda estavam espalhados pelo chão.

Sentou-se à cama e pensou em aguardar um pouco, mas não conseguiu. Entrou cautelosamente no banheiro e a viu de costas sob o chuveiro. Parou por um instante para apreciá-la enquanto não havia nenhum outro pensamento em sua mente, apenas ela. Foi então que, já não pôde mais se controlar, tirou a roupa e entrou no box já agarrando-a por trás e beijando-lhe a nuca. E ela, sem poder reagir, sentiu-se dominada e soltou um suspiro alto, uma mistura de surpresa e lascívia. Ele a agarrara firmemente e ela, ainda de costas, olhou para trás e o viu com aquele olhar de quem queria devorá-la. Foi então que um beijo intenso e quente fez com que entrassem num frenesi de luxúria. Ela sem ter tempo de esboçar reação sentiu-se penetrada, dominada, submissa.

O chuveiro ligado, os leves gemidos dela, e a respiração ofegante dele se fundiram numa sinfonia de sensações. Pois já haviam transcendido esta realidade, a razão já não mais fazia parte dos pensamentos de ambos. Queriam apenas sentir-se, aproveitar cada instante daquele intenso amor. Olhos nos olhos, ele a agarrara pelos cabelos e beijava-lhe a boca com sofreguidão enquanto a cadência do amor aumentava. Então ela, não resistindo mais aos movimentos intensos dele, sentiu a explosão franca do orgasmo tendo as pernas vacilantes, soltando um grito de prazer intenso. Ele a sentia contraída, o quê lhe proporcionou mais prazer que não demorou a virar orgasmo também. E, ainda dentro dela, continuaram abraçados beijando-se.

Ainda não haviam dito uma palavra sequer, apenas olhares, beijos, abraços e carinhos. Terminaram o banho juntos, sem se importarem com horário ou compromissos. Nada mais importava naquela hora, a não ser o quê um significava para o outro. Foi quando, ela ainda em êxtase, disse:

- Estou com uma fome danada..

Ele apenas sorriu, enquanto enxugava-lhe as costas.



Não cite, excite.
29 Abril, 2009, 1:03 am
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Não quero citar ninguém sabe? Acho que consigo escrever um texto sem precisar usar palavras já ditas. Mesmo sabendo que isso é sinal de sabedoria e aquele blá blá blá.. Poderia começar com: “Jogador que joga nas 11 posições, não joga bem em nenhuma!” mas como “Há pessoas que têm um impecável mal gosto.” prefiro pensar que: “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a um entendimento de nós mesmos.”.

Não é que eu não saiba ou não goste de fazer, mas acho que citação é aquela coisa chique que se deve fazer em casos onde elas se encaixam perfeitamente. E não tentar escrever um texto só com citações. Até mesmo por quê escrever assim dá uma impressão de colcha de retalhos sabe? Pode ficar bonito no final, mas é aquela coisa desigual, disforme, sem um padrão, sem muita clareza. Como meu filho costuma me perguntar: “Tendeu??” E já estou citando de novo. Mas não sou completamente contra e que isso fique bastante claro, mas às vezes devemos dar-nos as rédeas da escrita. Poder ser quem cria para, quem sabe, ser citado depois. Existem coisas que realmente não ficam bem sem uma citação, uma monografia por exemplo, ou qualquer texto acadêmico. Enfim, tem que ter bom senso.

Na verdade não quero interferir no direito de citar de ninguém, citem, citem-se, incitem, excitem e excitem-se (ou não). Afinal de contas citações demonstram que no momento que lemos o texto e depois citamos parte dele, significa que – naquele momento e naquele texto – tivemos pleno entendimento do quê o autor quis expressar, ou então contextualizamos a leitura no nosso dia-a-dia e conseguimos encaixar bem o texto dos outros nos nossos.

Então, pra terminar, vou tentar acabar com citações de impacto:

“Meu pai costumava dizer que quem cita demais não tem idéias próprias.”
(não sei quem disse)

“Todos nós somos um mistério para os outros… E para nós mesmos.”
(Érico Veríssimo)

“Tendeu?”
(meu filho..)



Sensível e Insensível
27 Abril, 2009, 9:45 am
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- Alô?
- E aí? Tá vindo pra cá?
- Não, to no cinema.
- No cinema?
- É, te falei isso à tarde quando te liguei e você me atendeu meio que dormindo.
- Me falou? A gente já se falou hoje?
- Falou, quando te liguei e você me atendeu meio que dormindo.
- Ah, mas você nem entendeu. Eu só tava brincando.
- Entender o quê? Que você estava ligando pra outra pessoa e acabou ligando, sem querer, pra mim?
- Putz, claro que não.
- Ah é, vou acreditar. Pra quem você tava ligando?
- Pra você ué, eu não posso te perguntar se você está vindo pra cá?
- Não. Pelo menos não quando eu já te falei que viria pro cinema. E você ainda foi grosso comigo por quê eu tinha te acordado.
- Bom, agora tenho que confiar no quanto me conheço né? Por que eu odeio mesmo que me acordem à tarde.
- Quem você tava chamando pra ir praí?
- Olha, não vou repetir de novo que eu tava chamando você. Mas você não quer acreditar mesmo né?
- Claro que não, você nunca me chama pra ir praí.
- Na verdade eu tava achando que você estava vindo pra cá porque, como eu não lembrava que você tinha me ligado à tarde, eu achei que você nem fosse me ligar. E é sábado né? Achei que a gente ia se ver, só isso…
- Ah, mas você foi muito grosso comigo hoje à tarde.
- Mas você me acordou, sabe que fico mal humorado.
- Mas que culpa tenho eu de você estar dormindo?
- Ah, mas pra quê você me ligou à tarde? Você nunca me liga à tarde!
- Mas você nunca dorme à tarde, e não tente mudar de assunto. Quem você tava chamando pra ir praí?
- Agora então quando eu tiver vontade de te chamar pra vir pra cá, não vou poder né? Porque senão você vai me acusar de chamar outra pra vir pra minha casa? Faz o seguinte então: acaba de assistir o seu filme aí, e esquece que te liguei.
- Não esqueço enquanto você não disser quem você chamou pra ir praí..
- Ah, quer saber? Tchau.
- Tchau, mas mais tarde te ligo pra gente conversar isso direito.

Mal sabia ela que ele a esperava com um jantar à luz de velas posto à mesa. E mal sabia ele que ela estava sensível naquele dia…



Sonho
23 Abril, 2009, 11:05 pm
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Desliga o despertador.
Abre os olhos.
Olha o teto e constata que é dia útil.
Levanta, vai pro banheiro.
Banho, escovas, desodorante e perfume.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.
Sai de casa, fecha a porta.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.
Entra no carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira… faltam os óculos.
No porta luvas tem um pra casos de emergência.
Chaves, celular iPod, mochila, carteira e óculos.
Mesmo caminho, mesmos problemas, mesmo stress.
Mesmas pessoas, mesmos cumprimentos, mesmos sorrisos.
Mesmos projetos, processos e procedimentos.
Mesmas reclamações de problemas sem soluções.
Cartão, chave, celular, iPod, mochila, carteira, óculos.
Óculos no porta-luvas, trânsito, buracos.
Mesmas pessoas, falsos cumprimentos, menos risos.
Mais conhecimento, mais cultura, mais networking.
Professores legais, os colegas impopulares mais legais.
Volta pro carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira.. trabalho de Cálculo.
Pouco trânsito, mesmos buracos, mesmos problemas.
Som pesado no iPod, batuques no volante, às vezes muita cantoria.
Garagem de casa, escadas, lembranças de: “Tenho que levar o carro na oficina.”
Fecha o carro.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira. Chaves certas?
Abre o carro.
Pega as chaves certas, deixa as erradas no carro.
Abre a porta, mesma bagunça, mesmos desapegos.
Chaves, celular, iPod, mochila, carteira, todos no criado mudo.
Ironia, um mundo no criado mudo.
Mesmos rituais, mesmos vícios, mesma escrita.
Celular, despertador, ativar.
Fecha os olhos.
Aí começa, de verdade, a voltar à realidade.



Aquele Amor
22 Janeiro, 2009, 5:59 pm
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Ele apenas queria o desconhecido. Queria provar de tudo que era tão novo pra ele quanto a própria idade. As atitudes, muitas vezes impensadas, eram imaturas e impulsivas, tomadas sempre com a emoção e nunca com a razão. Vislumbrava uma infinidade de opções que a vida lhe mostrava, e se perdia por entre os defeitos e qualidades de cada uma delas. Ainda não tinha noção do quê queria, do quê seria ou do quê faria. Mas amor, ele sempre quis um só. Sempre quis Aquele Amor, o amor dela. E ela era um amor, assim considerada pela família dele e, acima de todos, por ele. Ele a amava tão intensamente, que imaginar a dor de perdê-la já o colocava fragilizado, com os prantos a transbordar pelos olhos. Aquele Amor era recíproco, ambos se desejavam e compartilhavam de um carinho imenso, um companheirismo que só eram esquecidos quando o ciúme aparecia. Ciúme ainda imaturo, infantil, inconsciente, inoportuno, mas que ainda era pura demonstração de amor e afeto.
Ele demonstrava seu amor com olhares, com versos e prosa, com flores, com todo o sacrifício que lhe cabia e aceitava-o de bom grado. Afinal de contas, ele recebia o amor dela em troca. O amor dela era um amor lascivo, uma paixão estonteante. E ela demonstrava seu amor de modo insinuante, sempre exibindo suas curvas perfeitas para que ele se deleitasse, sempre o fazia rir com todas as brincadeiras possíveis. Ela era de beleza inigualável, de inteligência notável, de simpatia invejável. E, sim, ele a amava com todas as suas forças, e era amado em retorno.

Só que a imaturidade dele fez com que uma cadeia de acontecimentos se iniciasse. Uma atitude impensada, virou uma fofoca que virou conversa que virou discussão que virou briga que virou o fim. E como se o fim ainda não bastasse, ele brigou com o Pai dela. Disse todas as verdades que, à sua boca, ainda eram verdades, mas no ouvido do Pai dela eram insultos, enormes e gigantescos insultos. Ele foi rechaçado e desafiado a nunca mais voltar.
Ele se foi, e levou consigo a dor no peito de perder seu grande amor. Ambos eram apenas crianças, haviam sido namorados, amigos e amantes pela primeira vez. E ele nunca a esqueceria, assim como ela também não, como prometido. Ainda carrega a angústia de saber que ela é a mulher da vida dele e, que somente com ela, ele seria feliz.
Cada um seguiu seu caminho, viveu sua vida. E ele ainda carrega consigo Aquele Amor, ainda acredita que só ela o fará feliz. Não que não tenha sido feliz com outras, mas não era uma felicidade completa, que preenche todo o ser. Era feliz com outras, mas ainda pensava nela. Assim como ela tinha tido seus casos, mas sempre que se esbarravam era nítido em seus olhares que Aquele Amor ainda estava lá. Encontraram-se algumas vezes às escondidas, na calada da noite à luz da lua conversaram e se entreolharam sabendo que Aquele Amor ainda estava latente em ambos. Fizeram amor à luz do luar, contando estrelas. Reviveram, mesmo que momentaneamente, Aquele Amor que ainda ardia forte em seus corações. Aquele sentimento que não se explica, apenas se vivencia.

Ele ainda acreditava que cabia mais uma chance, mais uma oportunidade de demonstrar que os defeitos do passado ainda estão todos lá deixados pra trás, e superados, nos anos que se passaram. Acreditava que tudo o quê sentia só precisava dela para ser revivido, só precisava que ela também o quisesse. Mesmo sabendo que o amor que ele ainda carrega no peito seria o suficiente para os dois, ainda assim queria o querer dela. Queria ver aquele desejo nos olhos dela, ver Aquele Amor nos olhos dela. E bastaria apenas uma palavra para ele correr para os braços dela, e amá-la, como ninguém nunca amou ou amará. Mas para isso acontecer, ela tem que querê-lo.



Capítulo 1 – Maurício, Edgard, Gina, Luiza e Thaís.
22 Dezembro, 2008, 11:10 pm
Arquivado em: Contos, Humor

Em casa:

- Alô?
- Diga meu amor.
- Oi, onde cê tá?
- Ué tô saindo de casa pra encontrar com você, não foi esse o combinado? 8 horas na frente do shopping?
- Não, é isso sim, é que estou ligando só pra confirmar.
- Hum, por que? Desconfiou que eu não fosse acordar cedo pra ir no shopping com você?
- Hum.. É, desculpe, mas achei que você não fosse acordar.
- Tem problema não. Olha só, como você sempre demora pra caramba pra escolher algo pra comprar, chamei o Edgard pra me fazer companhia lá no shopping tá?
- Como assim? Já não falei que não quero você andando com aquele galinha???
- Poxa amor, eu sei, mas você sempre chama a Thaís ou a Gina pra te fazerem companhia enquanto eu fico lá fazendo o papel de cara chato que não tem paciência pra esperar vocês. Aí pensei em animar um pouco as coisas, afinal de contas o Edgard já ficou com a Gina né?
- É, mas você tá completamente por fora das coisas que o Edgard faz.
- E você tá por dentro é? Me explica essa história!
- Ah amor, sabe como é né? A Gina ficou apaixonada nele depois que eles ficaram, e por causa disso acaba ficando sabendo de tudo que ele faz…
- Aí por consequência você também tem que ficar sabendo???
- Escuta aqui, não tenta desvirtuar a conversa agora. Afinal de contas quem chamou ele foi você, não eu.
- Ah é. Mas eu chamei ele enquanto ainda não sabia que você estava por dentro da vida íntima dele.
- Problema seu então, eu havia dito que éramos nós dois que íamos ao shopping.
- Problema meu seria se você não chamasse sempre a Gina e aThaís pra irem também, oras! Pra falar a verdade eu nem sei pra quê você me chama pra ir. Deve ser pra ficar carregando aquele monte de sacolas, ou então pra guiar você até a vaga onde o carro fica..
- Tá vendo? Preciso de você amor, vamo?
- Fala sério. Agora não quero mais ir, não adianta.
- Poxa amor, vai me fazer essa desfeita agora???
- Ah, chama a Gina. Quem sabe ela não leva o Edgard e ele carrega as sacolas de vocês e ainda serve de GPS de estacionamento??? Não adianta, não vou mais.
- Poxa amorzinho, tem certeza?
- Tenho sim. Tenha uma excelente manhã no shopping.
- Bom, tudo bem então. Quando voltar de lá te ligo tá?
- Tudo bem, você é quem sabe.
- Beijo.
- Tchau.

- Alô, falae Edgard?! Beleza cara?
- Falae maluco, tranquilo?
- Tudo na paz. Aqui, tô ligando pra confirmar a minha presença naquela pelada agora de manhã.
- Beleza, vou confirmar com o Zezinho por que é ele quem tá organizando a parada agora.
- Ué, mas não era você quem estava organizando? E aí não vai mais?
- Vou não cara, lembra aquela amiga da Luiza??? A Gina?
- Lembro sim, desde que você não esteja indo pro shopping.
- Ué, como você advinhou?
- Pultaqueopariu rapá!

- Alô, Gina?
- Oi Luiza, a Thaís já tá aqui e estamos te esperando, cadê você?
- Ah, tô saindo de casa agora, o Maurício inventou de chamar o Edgard pra encontrar com a gente e discutimos por causa disso. Eu me atrasei pra acordar, e quis tentar colocar a culpa nele mas não consegui, mas pelo menos ele falou comigo que não vai pro shopping. É bom que ele não fica apressando a gente o tempo todo.
- Mas Luiza, eu chamei o Edgard pra ir com a gente e ele já tá no shopping esperando a gente. E agora?
- Ah, então faz o seguinte vai pra lá de uma vez que daqui a pouco chego lá.

No shopping:

Thaís, com toda a paciência do mundo, esperava a Luiza voltar do provador enquanto tomava um sorvete.
- Oi Luiza.
- Maurício! Mas você não disse que não vinha?
- Sabe como é né, eu já tinha combinado com o Edgard, e acabei vindo pra cá. Oi Gina, Thaís tudo bom?
- Ué Maurício, e a pelada? – Edgard perguntou.
- Pelada?! Que pelada?! Você tava brigando comigo por saber da vida íntima dele e agora tá aí pegando as sobras do Edgard? – Luiza já possessa.
- Luiza, você não sabe do quê está falando! – Retrucou Edgard.
- Ah é? Não sei? Vai Edgard, conta das mulheres que você tem que basta estalar os dedos. Conta das vagabundas que você pega e empresta pros amigos!
- Quê isso Luiza, assim você me ofende viu? – Disse Gina, ofendida.
- Ah Gina, você sempre soube que o Edgard não era flor que se cheirasse. E mesmo assim ficou com ele.
- Luzia, você tá querendo dizer que eu sou galinha, e ainda assim sou sobra do Edgard?
- Interprete como quiser.
- Ah é? Pois saiba que galinha é o Maurício, que já te colocou vários chifres e você não sabe.
- Gina, fica quieta! Luiza, vamo embora daqui? – Maurício já suava.
- Como assim Gina? Você tá dizendo que o Maurício e você….??
- Interprete como quiser. – Retrucou Gina, completamente irônica.
- Ah é? Então tá. Anda Edgard!? Quem conta? Você ou eu?
- Gente, vou ali comprar um suco e já volto.
- Vai porra nenhuma meirmão, tú vai é entrar na porrada! – Já gritou Maurício pulando em cima do Edgard.
- Ah, mas você também Gina! – Luiza já puxando os cabelos da Gina.

Thaís continuou como estava, imóvel e sem acreditar em nada. Mas o sorvete estava muito bom.

No fim das contas nem compras, nem pelada, nem galinhas, nem chifrudas.. Só um monte de gente mentirosa que resolveu fazer de ringue o hall do shopping. Maurício achando que se conseguisse alguém pra Gina, ficaria mais fácil camuflar as merdas que eles fizeram. A Luiza puta da vida com o Edgard que trocou ela pela Gina. A Gina ainda não tinha certeza de nada que queria, e não era amiga de ninguém. O Edgard era um galinha mesmo E a Thaís, bom a Thaís só queria saber do sorvete dela.

Qualquer dia vou postar o capítulo 2 da novela.