Publicado por: Fabio | 23 Fevereiro, 2012

Nada agrada..

Há tempos isso aqui tá jogado às traças… É foda, mas tenho reparado que todos os rascunhos que tenho em meu computador (pois é, já tentei escrever um monte de vezes mas nunca acho que tá bom o bastante e blá blá blá…) ou são intimistas demais, ou são subjetivos demais, ou não gostei do ritmo do texto, ou não gostei da estrutura, ou… ou então preciso começar a rever minha forma de avaliar o quê escrevo por que nada fica bom, nada me agrada mais. Antigamente escrever pro blog era praticamente uma terapia, uma forma de externar coisas que insuportavelmente não cabiam no meu peito. Mas ultimamente tenho me sentido tão mais ou menos que, nada tá bom. Sempre fui uma pessoa que sabia o quê dizer, que soube a hora de ficar quieto, e que soube a hora de enfiar a porrada em alguém caso necessário. E por isso, esse lance de nunca ter nada pra colocar no blog, tá me incomodando.

Em parte acho que antigamente, quando escrevia mais por aqui, eu tinha a ilusão de usar a subjetividade para expressar o quê sentia, só que agora a subjetividade não me vale de nada por que só eu a entendo como ela deve mesmo ser entendida. Só eu sei a minúcia de cada uma das palavras que eu devia ter dito e disse de outra forma, às vezes pra me precaver de magoar alguém, e isso cansa. E, pensando bem, acho mesmo que é cansaço de me esconder, de me esquivar, de dizer o quê não quero dizer só pra agradar (ou pelo menos pra não desagradar) e isso, acredite ou não, cansa e muito.

Tenho jogado fora chances e mais chances de ser feliz, em parte por ter sofrido uma cirurgia no joelho esquerdo da qual ainda não me restabeleci completamente mesmo já trabalhando nisso há algum tempo, e em parte por ser um completo idiota e inseguro algumas vezes. Por já ter passado por situações bem esquisitas na minha vida amorosa, sei que nada é pra sempre (embora isso seja relativo, pq na verdade ainda não encontrei nada que parecesse ser pra sempre) mas mesmo assim não consigo me apegar à certos valores, ainda não me senti livre e apaixonado o bastante para me apegar a defeitos aparentes e coisas que me desagradam, por que acho que é aí que se encontra o amor de verdade. Daí a subjetividade, daí toda a máscara no quê escrevia, daí toda a insatisfação atual, toda falta de vontade de escrever, toda falta de inspiração e por aí vai.. Parece que, pra cada vez que eu usava a subjetividade, estava sendo subjetivo com o meu coração e com as minhas vontades e isso se voltava contra mim de uma maneira beeeem objetiva.
Por outro lado, vivi o quê me permiti e não me permiti viver mais por insegurança. Acho engraçado falar isso, por que na verdade a insegurança não era nem tanto da minha parte, era também baseada nos eventos, lugares e pessoas envolvidas. Sabe como é não ter certeza de nada? Já achei isso bem legal por gostar de me aventurar e não ter medo de errar, agir sem me importar com como tudo vai acabar, ou se vai acabar… Mas depois de um tempo dando murro em ponta de faca, a mão já não quer mais obedecer. Então se não puder ser pra sempre, tenho certeza q não vou me esforçar tanto pra que aconteça. Mas devo adimitir, que em alguns casos, eu faria força para que acontecesse..

Pode ser uma fase? Acho que pode.. Como diz a moça da limpeza: “Tem época que chove demais, tem época que é seco demais..” Assim como pode ser a crise de meia idade batendo, e já pensei bastante nisso. Acho mesmo que tô é infeliz, e sem motivo aparente. E o mais interessante é que minha vida profissional não poderia estar melhor, acho que quanto menos coisas pra interferir no pensamento, melhor pra se concentrar em alguma coisa. Só que essa infelicidade é pela falta de afétuo contínuo, de ter alguém sempre ali do lado pra poder contar, alguém que ao invés de só desabafar sobre os próprios problemas queira saber dos meus de forma sincera, tentar opinar de forma não tão invasiva e me dar um sorriso no fim do papo, pode parecer complexo (ou exigente demais) mas é simples assim. É falta, também, de tudo o quê eu fazia e que fique claro que não é Síndrome de Peter Pan. Já me criticaram diversas vezes por usar tênis de skatista, mas porra: EU SOU SKATISTA CARALEO! Por ter a alma livre, não consigo me conter por “recomendação médica”, só me contive por medo de realmente correr o risco de nunca mais voltar a praticar qualquer tipo de esporte. Por que o meu médico não tem nada a ver com essa porra, ele quer mais é que eu volte a ser o quê era, volte a fazer o quê fazia. Só que os 6 meses que ele recomendou repouso, pareceram 10 anos e pra quem viveu 31 anos de liberdade ter 6 infinitos meses de ócio é praticamente uma penitência. Não ter mais o mar como amigo, não ter o asfalto e a velocidade, o vento batendo no rosto, aquela sensação de liberdade com o medo do risco. Só quem realmente já experimentou sabe como é e a falta que faz. Isso fere, faz falta, dá saudade e tudo mais.. É paixão pela vida, e estar correndo riscos é viver mais intensamente. Honestamente, isso tem me feito muita falta, lidar bem com riscos sempre foi o meu ponto forte e ultimamente não tenho tido o prazer de poder exercer algo que, modéstia à parte, sempre fiz bem. É me permitir descer uma ladeira a 50Km/h apenas de bermuda, camiseta, tênis e skate no pé e o fone no ouvido. Ou então é entrar no mar alto, onde poucos surfistas tem coragem de entrar e pegar altas ondas só de peito.. Praticamente é a mesma vontade, a mesma paixão, que tem me faltado e me afetado na vida de forma geral.

Paixões de carnaval já não me comovem mais e nem me interessam. Acho que, à medida que se envelhece, fica-se mais seletivo e o foco deixa de ser quantidade para ser qualidade. Só que no meu caso, nada tá agradando e daí concluo que o problema está mesmo em mim e não nas oportunidades que a vida me dá. Aprendi da pior forma possível que não dizer “não” no momento certo para evitar magoar alguém magoa muito mais logo adiante quando o “não”, que não foi dito, inevitavelmente fica aparente em algumas atitudes, ou na falta delas.

Não cabe no meu peito, e muito menos aqui no blog, o quê se passa comigo nesse momento. Só sei que é muito intimista, subjetivo, sem ritmo, sem estrutura.. ou então preciso começar a rever minha forma de avaliar o quê escrevo por que nada fica bom, nada me agrada mais.

Publicado por: Fabio | 4 Outubro, 2011

Nada.

Se no meu caos me mantenho correto, concluo o que era óbvio.
Que não era apenas amor, que não era apenas paixão.
Não era apenas carinho, nem apenas adimiração.
Era tudo e acabou não sendo nada.
Virou lixo, descartável, desagradável, que degradava.
De onde reciclei forças e vontades, de onde veio força de vontade.
Vontade de explodir e não mais implodir.
Me falta, me mata, me arrebata em dor.
Não vejo saída, a não ser adimitir..
Era tudo, e agora… nada.

Publicado por: Fabio | 21 Setembro, 2011

..nesse momento.

Se responde, não objetiva, sempre divaga.
Silencia, bagunça e tumultua.
Preciso, mas impreciso o precisar.
Nada define essa indefinição.
Essa sensação que sempre há algo a esclarecer.
Claro que há explicação, onde não sei dizer..
Sempre falta o que dizer, mas nunca o que sentir.
Do vazio que fica, a lacuna sem nunca completar-se.
Ímpeto de amar que me impede de respirar.
Pede à saudade que me esqueça.
Desapareça, e me salve, me livre deste tormento.
Ou apareça e viva comigo pra sempre, nesse momento.

Publicado por: Fabio | 24 Novembro, 2009

Não (²)

Não quero mais escrever.
Não tenho inspiração.
Não quero mais gritar.
Não tenho mais voz.
Não quero nem saber.
Não tenho interesse.
Não quero mais aventuras.
Não me satisfazem mais.
Não entendo certas coisas.
Não tenho tanta pretensão.
Não quero mais me iludir.
Não almejo esse falso futuro.
Não quero nada pela metade.
Não me completas.
Não quero lamentar.
Não agüento continuar assim.
Não quero mentiras.
Não suporto-as.
Não quero um pseudo amor.
Quero apenas um amor de verdade.

Publicado por: Fabio | 28 Outubro, 2009

Encanto algum.

Num canto me vejo
Só, sóbrio, são.
Num canto me ouço
Sol, bemol, em vão.
Não há voz.
Nada há em vós.
Silêncio que me atormenta
Fala que nunca cala
Junto os pedaços
De um conjunto despedaçado
Cato migalhas perdidas
Pedidas de joelhos
Não as tenho, nunca as terei.
Temo tanto, torço e tento
Traze-la para meu canto
Canto o quanto for preciso
Para que, em meu canto
O silêncio cesse.
Canto no meu canto,
Mas por enquanto, não encanto.
Em canto algum,
Encanto algum.

Publicado por: Fabio | 18 Março, 2009

Um pedaço Qualquer…

Ontem eu caí no chão e me espatifei em um monte de cacos. E precisei me recompor, me colar pedaço por pedaço. Aí peguei a cola, e comecei a colocar os pensamentos onde se encaixavam.

Mas tente imaginar a cena, você quebra um vaso que gosta muito e não vive sem ele. Mas e se esse vaso tem um pedacinho que você não gosta? Não dá pra jogar aquele pedaço fora e continuar a colar tudo. Por que no fim das contas vai ficar um vaso desigual, desfigurado. Sem aquele formato de vaso completo que se conhecia antes.
Só que me deparei com tantos pedaços que não queria mais, que me assustei um pouco. E me fez pensar o quanto de mim é bom, e o quanto de mim são defeitos. Sinceramente essa autoanálise foi meio tensa, por me fazer perceber os meus defeitos de uma maneira clara e direta. Fui sincero comigo mesmo como nunca havia sido antes. Pensei em todas as atitudes que tomei em minha vida, lembrei de todos os meus erros que cometi, me senti mal por causa do mal que já causei a muitas pessoas que passaram pela minha vida.

Não é bom perceber que a gente também erra, que a gente também faz coisa errada. Sempre falo em meus textos como ajo corretamente, e como enfrento a vida da maneira mais certinha o possível. Mas aquilo são momentos, são cacos da minha vida. Assim como possuo inúmeros outros cacos em que agi mal, que não fiz a coisa certa mesmo sabendo que estava fazendo a errada.

Certa vez elogiaram meus textos, e me incomodei com isso. Às vezes passo a impressão de que é tudo tão bom, tudo tão certo, mas não deixo claro que “aquele” texto específico é só um pedaço de mim, um fragmento das minhas experiências de vida. Não necessariamente traduz o meu Eu. Não dizem como eu penso ou sou completamente. Acho até que posso contar nos dedos de uma mão quem me conhece completamente. Não sou uma pessoa reservada, pelo contrário sou muito dado (sem trocadilhos por favor). Mas, por inúmeras vezes, eu passo a impressão de que está tudo bem quando na verdade me sinto um lixo, uma lumbriga expelida no meio das fezes. Mas ao olhar pra mim, pareço um diamante reluzente.

Eu tenho defeitos, todo mundo também tem. Só que não estaria sendo sincero comigo mesmo se um dia não escrevesse sobre esse assunto. Não admitisse que tenho meus defeitos, e ainda dissesse que não são poucos. Felizmente posso dizer que minhas qualidades superam meus defeitos, ou que deixo os defeitos aflorarem quando convém. Mas eu já errei muito na vida, já fiz muita merda (muita merda de verdade³), muita coisa que me arrependi bagarái de ter feito. Mas fazer o quê né? É a vida, ela é assim. Só que o importante é não parar de tentar acertar, pelo menos eu acho.

Vou juntar meus caquinhos, e colocá-los juntos de novo. Afinal de contas, eles são parte de mim. Eles formam meu caráter, minha personalidade, formam quem eu sou. Eu, completo. O difícil foi aceitar que os tenho mas agora, até gosto deles…

Esse é um dos meus cacos em texto, um dos meus pedaços.

Publicado por: Fabio | 21 Novembro, 2008

Diversão

A luz da lua entrava por entre as cortinas da janela, cálida pelos reflexos do lençol de seda rubro, quando entraram no quarto. A cama parecia ansiosa para recebê-los.

Ela o trazia pela mão, havia preparado tudo e não queria que nada fosse diferente do quê havia planejado. O vestido, o batom, o jantar, o vinho, Portishead como fundo musical, as velas, tudo havia sido premeditado. A entrega dela era notável. E ele a agarrou pela cintura, ainda de pé, e lhe beijou a boca lânguida com a volúpia que o momento requeria. Retirou uma das alças do vestido, deslizou a mão pelo ombro nu, admirando a suavidade de sua pele enquanto olhava em seus olhos. Conseguia sentir a respiração ofegante, o coração dela acelerado. Mas ele não tinha pressa, ansiava por aquele momento tanto quanto ela e queria extrair cada detalhe de cada segundo. Pressionando-a contra seu corpo, para que sentisse seu membro rijo, beijou seu pescoço e murmurou em seu ouvido:

– Hoje vou te ter como sempre quis, inteiramente minha.

Ela consentiu apenas com um pequeno sorriso no canto da boca e retirou a outra alça, fazendo com que seu vestido caísse deixando à mostra seu corpo, inteiramente nu. Ela o ajudou a se despir e, ainda de pé, se beijaram mais uma vez. Naquele momento parecia que seus sentidos estavam mais aguçados, os cheiros de seus corpos já transcendiam a luxúria. Liam seus olhares e, através deles, parece que sabiam o quê fazer e como fazer.

Ele ainda parecia não acreditar que aquela mulher o queria. Sabia o quanto já havia sonhado, e ansiara por aquele momento. Deitados lado a lado, ele parou enquanto passeava seu tato por todo o corpo dela, fazendo-a sentir a leveza de seu toque, depois a leveza de seus lábios pelo corpo todo, até chegar a seu sexo que, úmido, inebriava-o com um odor maravilhoso, um convite para degustá-la. E ela delirava às carícias feitas por ele, ao seu toque, ao seu olhar direto no dela. Pois até isso ele queria guardar, o rosto contorcido de prazer, os gemidos, o gosto, os odores.. tudo. Mas não era só ele que queria ver expressões de prazer, sentir o gosto do sexo. Isso também era interesse dela e, de súbito para que não chegasse ao clímax antes da hora, inverteu a posição e começou a proporcionar mais prazer do quê ele já havia sentido. E o olhar dela, a vontade que ela tinha em satisfazê-lo, dava mais prazer a ele.

Ela então, atendendo a um pedido dele, voltou a beijar-lhe a boca enquanto unia os sexos dos dois praticamente em um só, que ardiam de vontades. Depois os corpos se impactando um contra o outro. Cada minúcia era importante, o suor e os líquidos do sexo eram aparentes, agradáveis e confortáveis. Ditavam o odor da luxúria, de dois corpos se amando com velocidade crescente. Até que o êxtase chegou explodindo os sentidos como fogos de artifício numa noite linda e clara de ano novo. Haviam chegado à simplicidade de sua essência juntos, e explodiram em um riso descontrolado, aconchegante. E ali ficaram se olhando e rindo, ele ainda com o sexo dentro dela.. Exauridos e estupefatos, mas ainda rindo. Afinal, haviam se divertido. Os beijos continuaram, o riso também. Nada de dormir nessa noite, uns minutos depois voltaram a se amar novamente, e assim foi até o raiar do dia. Afinal de contas pra quê fechar os olhos se o seu sonho está bem diante de você?

Publicado por: Fabio | 18 Novembro, 2008

Eu e ele..

– Pai, você podia ser rico hein?
– Mas eu já sou rico ué.
– Né nada.
– Sou sim. Mas o que você acha que é ser rico?
– Ter uma casa grande, um carrão bonito, um monte de dinheiro..
– Mas isso aí é ter muito dinheiro, é disso que você tá falando? Ou ser rico de verdade?
– Não sei.
– Por que? Não entendeu?
– Não.
– Ser rico, quer dizer que você tem muito alguma coisa, mas nem sempre isso quer dizer só dinheiro.
– Ãhn..
– Entendeu agora?
– Mais ou menos.
– Eu sou rico.
– Rico como?
– Já consegui alcançar muitas coisas que queria, e por tudo o que vivi, tenho sorte de ser o que sou hoje e ter o que tenho.
– Mas você não é rico.
– Não, não sou rico de dinheiro. Mas tenho minhas riquezas e você é uma delas.
– Ah Pai, pára de brincadeira.
– Tô falando sério. Me responde uma coisa, você tem quantos brinquedos?
– Não sei.
– Por quê?
– Tenho um monte ué, nunca contei.
– Então, me considero rico por você poder ter um monte de brinquedos.
– Mas isso não é ser rico.
– Se você tivesse apenas 1 carrinho pra brincar, você se sentiria rico de brinquedos?
– Não.
– Então, comigo foi assim eu ganhei um carrinho que durou 5 anos. Claro que ganhei outros brinquedos, mas dá pra contar eles nos dedos de uma mão. Aí me considero rico de dinheiro o suficiente pra poder te dar quantos brinquedos eu quiser, e achar que você merece.
– Você não ganhava presente??
– Ganhava, às vezes eu ganhava 3.
– É, você me deu 3 presentes no meu aniversário.
– Mas eu ganhava 3 presentes por ano.
– O QUÊ?
– É verdade, ganhava 1 no meu aniversário, 1 no dia das crianças e outro no Natal.
– Por quê só isso?
– Por que brinquedo não é tão importante como comida, por exemplo.
– Mas não tinha dinheiro pra comprar comida?
– Às vezes a comida era o suficiente contado para o mês. E depois que seu Avô morreu, a gente foi morar numa casa que sempre que chovia forte, entrava água de esgoto no quarto onde eu e seu tio dormíamos. Aí sua Avó gastava com o quê era necessário, não com brinquedos.
– E você continuava dormindo lá?
– Uhum, não tinha outro lugar pra onde ir ué.
– Mas se você não tinha brinquedos, brincava de quê?
– Ah, o único presente que fiz questão de atazanar a sua Avó até ela me dar, foi uma bicicleta.
– Aí você só andava de bicicleta?
– A noite sim, durante o dia vendia verduras, pão que sua avó fazia, consertava outras bicicletas, isso tudo indo na casa dos outros e batendo de porta em porta.
– Você fazia isso sozinho? Pra quê?
– Uhum. Era a minha mesada ué.
– Quantos anos você tinha?
– Onze.
– Ah, então você era mais velho que eu sou.
– Mas na sua idade eu ia pro colégio de ônibus, sozinho. E ia de ônibus por que seu avô ainda tava vivo, e dava pra ir pra um colégio melhor mas que ficava mais longe.
– E você não tinha medo?
– Medo de quê?
– De andar de ônibus ué.
– TInha nada, só não gostava de ter q pegar dois ônibus pra ir e dois pra voltar.
– Mas pra você me dar brinquedos, tem que ser rico de dinheiro né?
– Na verdade “ser rico” pra mim é poder te dar o que não tive, o que não puderam me dar, não deixar você passar pelas mesmas coisas que passei.
– Hum…
– Quê foi?
– Não, nada não.
– Fala rapá.
– Não, é que queria te perguntar se quando a gente chegar em casa você quer meu carrinho novo pra você.
– Meu presente eu já ganhei, pode ficar com seu carrinho novo.
– É? O que você ganhou?
– Você.
– Pára Pai.
– Quando chegar em casa a gente brinca de banco imobiliário.
– Tá bom. Mas pode deixar que vou deixar você ficar rico..
– Rico de quê?

– Dinheiro de papel Pai.

Publicado por: Fabio | 17 Novembro, 2008

Aquele beijo.

Minha mente não me obedece ultimamente.
Teima em recordar-me daquele beijo
Em trazer de novo o gosto da tua boca,
O teu cheiro, o teu ar, o teu olhar
Ainda lembro da sua respiração
Do teu corpo contra o meu.
Mãos, bocas, línguas..
Por alguns instantes se tornaram um só.
E frações de segundos se tornaram
Uma eternidade em minhas memórias.
Onde cada detalhe, cada minúcia é real.
Revivo-as desapercebidamente, inadvertidamente.
Me desconcertam, me desconcentram.
Me fazem querer mais, te querer mais.
Me fazem quere-te como meu bem querer.
Publicado por: Fabio | 14 Novembro, 2008

Niterói

Que saudades que sinto de lá.

Acordar e olhar a Baía pela janela, não tinha como ficar mau humorado. Andar na rua vestido do jeito que quisesse, fazer a barba com qualquer estilo louco, sem ter aqueles olhares reprovadores de cidade pequena. Ir pro trabalho de paletó, gravata, e skate morro abaixo. Ir pras festas da Cantareira, depois ir pro Saco, depois dar um rolé em Icaraí. Pegar uma praia em Itacoá, aproveitar a proximidade e dar uma olhada no mirante de Itaipuaçu. Ah Itaipuaçu, quantas lembranças, quantas aventuras, quantas roubadas também.

Raves em Jurujuba. Luais em Camboinhas e Itacoatiara.. e quantos foram? No total uns 50. Num mesmo dia, eu e Messias, foram 4 por quê a cachaça na cabeça ajudava. O violão debaixo do braço chamava a atenção. Aí fizemos o nosso lual, depois fomos pros outros de penetra e quando o violão cantava éramos promovidos à convidados de honra. Até que no final da noite, início da manhã:

– Vamos embora?

– Vamos, ta com dinheiro aí?

– Não ué, gastei tudo comprando vinho.

– Porra, também não tenho dinheiro, só tenho pra minha passagem.

– Ih, olha aqui no chão um vale-transporte!

– Fala sério, ta bêbado porra?!

– É sério ô babacão, ta aqui ó! Vamo embora pra casa que ainda tenho que tomar banho pra trabalhar.

Contando assim, dá pra acreditar? Podem me chamar de mentiroso mas, que aconteceu, aconteceu.

Também tinha a galera da academia perto da faculdade de Direito da UFF. Marcão teimava em repetir que eu e ele havíamos sido companheiros medievais de batalha campal. O (mestre) Iôda sempre ficava contando mentira sobre a mulherada, nunca vi um japonesinho baixinho, do “zói” puxadasso e metido a pegador.

Saudades das farras no DCE da Uff que eu considerava como quintal da minha casa (até mesmo pq eu morava no Ingá). Outra qualidade de se morar lá era que, quando desse na telha, se podia pegar um busu ou um frescão pra dar outro rolé em Botafogo, Copacabana e por aí vai.

Acho que foram os 2 anos mais bem vividos da minha vida, mais bem aproveitados, mais divertidos, e também mais cansativos às vezes.

Vizinhos de prédio são um porre, ainda mais quando dão o azar de fazer fofoca no elevador sobre os barulhos do apartamento vizinho, sendo que meu irmão também era vizinho daquele apartamento. Putz! Eu, quando fico nervoso, fico nervoso. Agora meu irmão, quando fica nervoso, é melhor dar um jeito de olhar onde ficam as saídas mais próximas, se existe polícia perto, contar quantos adversários vão entrar na briga e meter as caras pra ajuda-lo. Coitado do vizinho fofoqueiro, entrou no elevador reclamando da “gemeção” do outro apartamento, e saiu pedindo desculpas por se meter na vida alheia. Bem feito, devia ser inveja sabia? Ah, fofoca já foi outro post, deixa pra lá. Pra defender os vizinhos e provar que nem todos eram chatos de galocha, lembro de um dia que praticava o repertório do lual na área de serviço, acabei de tocar uma música da Ana Carolina e gritaram lá de baixo: “- Toca Garganta!” Botei a cara na janela e vi 4 garotas, lindas, debruçadas nas 4 janelas andares abaixo me ouvindo. Amizades foram feitas, e essas amizades ainda resistem à distância. Preciso passar por lá para visita-las..

Tinha o lado ruim? Tinha. Ficar longe da mamãe, ficar longe dos amigos e consequentemente ter que fazer novos. Encarar pela primeira vez a sensação de morar sozinho, de tomar conta da própria vida, de aprender (forçadamente) a cozinhar, pagar o aluguel, luz, água, IPTU, gás, telefone.. Não dar mole na rua pra não ser assaltado, sair à noite só com a carteira de motorista e o dinheirinho contado no bolso. Violência em tudo quanto era lugar. Mas sabendo por onde se anda, não se tem problema. Mas mesmo assim, um dia, ainda quero voltar a morar lá.

É, muita saudade mesmo.

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